
A operadora japonesa JR Central quer revolucionar a forma como trabalhamos durante as viagens sobre carris, conforme detalhado no relatório anual da empresa. A famosa linha Tokaido Shinkansen vai receber novas suítes premium equipadas com antenas escondidas nos vidros e um sistema de cancelamento de ruído ambiente que dispensa completamente o uso de auscultadores.
O fim das falhas de rede em movimento
A conectividade é frequentemente o ponto fraco das viagens rápidas, devido à necessidade constante de saltar entre estações base de comunicação a 285 km/h. Para resolver esta quebra de sinal, a empresa nipónica AGC desenvolveu uma solução engenhosa baseada em microfibras condutoras embutidas no próprio vidro das janelas.
Ao contrário dos sistemas tradicionais que obrigam o sinal 5G a refletir no interior da carruagem antes de chegar ao router, estas antenas envidraçadas mantêm uma linha de visão direta com o exterior. O resultado é uma ligação à internet muito mais estável e intensa, concebida para rivalizar de frente com a classe executiva da aviação em trajetos domésticos.
Silêncio absoluto sem cobrir os ouvidos
A outra grande novidade destas cabines fechadas é o sistema Personalized Sound Zone, criado pela NTT. O conceito imita o funcionamento dos auscultadores com cancelamento ativo de ruído, mas funciona ao ar livre no interior do compartimento. Através de uma rede de microfones e altifalantes de baixa latência, o equipamento deteta o ruído exterior e projeta uma onda sonora inversa para o anular instantaneamente.
Esta tecnologia acústica poupa o passageiro ao desconforto de utilizar dispositivos físicos na cabeça, procurando lidar com os desafios únicos da alta velocidade, como as bruscas variações de pressão durante a passagem por túneis e o som da constante deslocação de ar.
Um luxo com implementação progressiva
Os compartimentos privados tinham desaparecido desta linha em 2003, altura em que os modelos de dois pisos da Série 100 foram retirados de circulação. Duas décadas depois, o regresso faz-se focado na máxima produtividade e conforto de passageiros que procuram essencialmente um escritório isolado sobre rodas.
O acesso a estas funcionalidades terá custos superiores aos bilhetes de primeira classe atuais, que rondam os 100 euros para a viagem de duas horas e quinze minutos entre Tóquio e Quioto, contra os cerca de 71 euros da classe padrão. A adoção será inicialmente contida, estando a instalação destas suítes de luxo confirmada apenas para meia dúzia de comboios na fase de arranque do projeto.












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