
Segundo um estudo publicado pela NordVPN em colaboração com a plataforma NordStellar, uma identidade digital portuguesa completa pode ser adquirida no mercado negro por cerca de 82 euros. A análise de quase 75 mil anúncios na dark web expõe a vulnerabilidade dos dados nacionais, colocando Portugal na décima quarta posição a nível mundial no que toca à comercialização destas informações.
A abundância de dados roubados provenientes dos Estados Unidos, que representam mais de 70% das listagens de cartões de pagamento, tornou esta mercadoria relativamente barata na América do Norte. Em contraste, os dados europeus perfazem quase 20% do total global de cartões comprometidos, com os preços a variarem consoante a escassez da informação de cada país.
Documentos oficiais e cartões bancários
Um cartão de pagamento português comprometido é transacionado por um valor médio de 10 euros. No entanto, o perigo aumenta de forma drástica com a venda de pacotes completos de identidade. Por cerca de 82 euros, os criminosos acedem a detalhes críticos como o número de identificação fiscal ou da Segurança Social, data de nascimento e morada.
As cópias digitais de passaportes nacionais rondam os 32 euros, enquanto as cartas de condução e os documentos de identificação nacional são vendidos por aproximadamente 31 euros cada. Marijus Briedis, diretor de tecnologia da empresa de cibersegurança, salienta que este valor global é inferior ao custo de encher um depósito de combustível, fornecendo aos atacantes o material necessário para criar identidades falsas ou submeter declarações fiscais fraudulentas.
O peso das contas corporativas e de entretenimento
No segmento empresarial, as credenciais de correio eletrónico assumem um peso tático de alto risco. Uma conta portuguesa do Office 365 custa cerca de 24 euros, um valor justificado pela sua capacidade de funcionar como porta de entrada inicial para comprometer redes corporativas inteiras. Nas redes sociais, um acesso ao Facebook é vendido por 35 euros e representa 40% dos anúncios nesta categoria, abrindo caminho para perfis de Instagram associados e ferramentas de publicidade. Já as contas de TikTok atingem os 55 euros e as de Snapchat ficam pelos 31,50 euros.
Os serviços de streaming apresentam os preços mais baixos deste mercado paralelo. Uma subscrição da Netflix comprometida custa apenas 4,15 euros, enquanto um acesso ao Spotify chega aos 25,50 euros, com os vendedores a operarem redes de substituição e garantias para contas bloqueadas.
Em contrapartida, as plataformas de criptomoedas estão no topo da tabela de preços devido ao acesso direto a fundos líquidos, que não exigem esquemas complexos de branqueamento. Uma conta Coinbase é vendida por 98 euros e uma conta Binance atinge os 146 euros. Plataformas de comércio eletrónico também são um alvo valioso, com os acessos à Amazon a custarem 46 euros, frequentemente utilizados para lavagem de dinheiro através de cartões de oferta.
Prevenção e proteção online
Para ajudar os utilizadores a compreenderem a dimensão exata do problema, a empresa desenvolveu uma calculadora interativa que estima o valor comercial dos dados de cada pessoa. A falsa perceção de segurança é um dos maiores obstáculos atuais, pois muitas vítimas assumem que não são alvos atrativos ou que detetariam facilmente uma invasão de privacidade.
A redução da exposição passa por adotar práticas rigorosas, como a utilização de gestores de palavras-passe com credenciais únicas para cada serviço e a ativação obrigatória da autenticação multifator. É aconselhável limitar a partilha de informações pessoais, recusar cookies de rastreio desnecessários e monitorizar regularmente os extratos bancários, uma vez que transações de valor reduzido e anómalas podem ser o primeiro indicador de um ataque informático em larga escala.












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