
A disputa no mundo do software de código aberto atingiu um novo nível. Segundo uma carta aberta publicada pela OnlyOffice, a empresa acusa os criadores do projeto Euro-Office de desrespeitarem as regras da sua licença original e exige modificações na interface e na identificação da nova plataforma.
Tudo começou no mês passado, quando a Nextcloud e várias outras empresas tecnológicas europeias se uniram para criar o Euro-Office. O objetivo era apresentar uma alternativa soberana ao domínio da Microsoft, baseando-se no motor da OnlyOffice. No entanto, a decisão de remover as marcas e logótipos originais gerou discórdia, levando a OnlyOffice a terminar uma parceria de oito anos que permitia aos utilizadores da Nextcloud editar documentos diretamente na sua interface.
A manobra legal da Nextcloud e o apoio da comunidade
Em resposta às primeiras acusações, a Nextcloud defendeu a sua posição no dia 17, afirmando que a exigência de manter logótipos corporativos prejudica a própria essência do software livre, limitando a liberdade de estudar e modificar os programas. A equipa utilizou uma cláusula específica da licença AGPLv3 (Secção 7) que permite remover restrições adicionais, argumentando que um logótipo é uma marca registada e não uma simples atribuição de autor.
Esta interpretação ganhou força quando a Free Software Foundation apoiou a visão da Nextcloud numa publicação de janeiro de 2026, esclarecendo que a atribuição de autoria se aplica a pessoas singulares e não a marcas de empresas.
Exigências finais e o futuro da plataforma europeia
A OnlyOffice não aceitou os argumentos e contra-atacou, afirmando que a posição da Free Software Foundation é apenas uma interpretação recente e não altera o texto legal de 2007 da licença, que nunca definiu exatamente o que significa a atribuição de autor.
Procurando uma saída construtiva para acabar com a guerra das marcas, a empresa estabeleceu novas condições. Para cumprir a Secção 5(d) da licença, o Euro-Office terá de incluir uma página "Sobre" facilmente acessível, identificando claramente a ONLYOFFICE como a programadora original. Além disso, a empresa exige que as notas de origem sejam mantidas no código fonte e que todas as descrições públicas do projeto deixem claro que se trata de um trabalho derivado.












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