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O navegador da Google começou a transferir e a instalar automaticamente um ficheiro local de inteligência artificial de quatro gigabytes para alimentar o modelo Gemini Nano. Esta ação ocorre sem o consentimento, opções de recusa ou notificação prévia aos utilizadores, segundo a análise publicada no That Privacy Guy, que relata também que a eliminação manual do documento resulta numa nova transferência forçada pelo sistema sem qualquer aviso.

O peso oculto do Gemini Nano no computador

O ficheiro em questão, designado por weights.bin, fica alojado na pasta OptGuideOnDeviceModel dentro do perfil de utilizador do Chrome. O processo afeta as plataformas Windows e macOS que cumprem os requisitos técnicos definidos, demorando apenas catorze minutos a criar os diretórios e a descarregar a totalidade dos dados.

Caso o utilizador apague o documento, a aplicação volta a instalá-lo automaticamente. Para travar este comportamento de forma definitiva, é necessário aceder às definições avançadas do navegador através das flags internas ou utilizar ferramentas de gestão de políticas empresariais.

Na versão 147 do navegador, a barra de pesquisa ganhou uma nova indicação visual dedicada à inteligência artificial, mas esta funcionalidade direciona os pedidos para os servidores na nuvem. O modelo de quatro gigabytes transferido para os equipamentos não alimenta esse sistema principal, servindo antes para suportar ferramentas secundárias locais focadas na assistência à escrita.

Impacto ambiental e violações de privacidade na Europa

O especialista Alexander Hanff aponta que esta tática reflete padrões obscuros que já tinham sido identificados no software de computador da Anthropic, conforme exposto noutra publicação no site europeu do autor. A instalação encoberta inclui a ativação de capacidades não solicitadas, o uso de nomes genéricos nas pastas para ocultar a verdadeira natureza dos ficheiros e a sobrevivência retroativa das permissões mesmo após a eliminação.

Do ponto de vista legal, a transferência desrespeita a Diretiva ePrivacy na Europa, que proíbe o armazenamento de informações nos equipamentos sem aprovação prévia, bem como as normas do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados focadas na transparência.

Além das questões de privacidade, o processo acarreta um impacto ambiental avultado, com a estimativa de seiscentas e quarenta mil toneladas de emissões poluentes geradas pela transferência massiva. O descarregamento deste volume de dados afeta também quem depende de planos de internet limitados ou dados móveis, esgotando o tráfego disponível de forma invisível.

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