
Uma vaga de rumores gerada por inteligência artificial instalou o caos nas redes sociais chinesas, forçando vários gigantes da mobilidade elétrica a emitir desmentidos oficiais. Fabricantes de renome como a BYD, Tesla, Nio, Xpeng, Zeekr, GAC Aion e Li Auto vieram a público rejeitar categoricamente as alegações de que teriam sido convocadas pelas autoridades reguladoras da China devido a supostas práticas de "bloqueio de bateria" através de atualizações de software.
De acordo com o portal Sina, a polémica deflagrou após relatórios não confirmados sugerirem que oito fabricantes de veículos da nova energia (NEV) tinham sido interrogados na sequência de queixas de consumidores. As publicações virais iam mais longe, afirmando que três empresas estavam sob investigação formal e que duas tinham sido obrigadas a retirar os seus pacotes de atualização. O meio de comunicação estatal Shanghai Observer revelou que várias contas ligadas ao setor automóvel modificaram e republicaram notícias antigas, adicionando listas falsas de marcas envolvidas.
Reação firme e ameaças de processos judiciais
Perante a rápida disseminação das falsas narrativas, as reações do setor foram imediatas. A BYD classificou as alegações de interrogatórios ou investigações como "puros rumores" e confirmou já estar a recolher provas para avançar com processos judiciais contra os responsáveis pela difusão das mentiras.
O departamento legal da Xpeng esclareceu que diversas contas utilizaram ferramentas de inteligência artificial para fabricar e espalhar a informação de que a marca estaria entre as empresas investigadas, sublinhando que nunca recebeu qualquer notificação nesse sentido. Paralelamente, representantes da Tesla na China garantiram que os relatos são totalmente imprecisos, lembrando que todas as atualizações de software passam por processos rigorosos de teste e registo antes de chegarem aos veículos. Outros nomes citados, como a Nio, Zeekr e GAC Aion, também emitiram comunicados a negar qualquer envolvimento em conversações de teor regulatório.
O braço de ferro em torno da gestão de energia
No centro de toda esta discussão está a prática conhecida como "bloqueio de bateria", onde as fabricantes utilizam atualizações remotas (OTA) para ajustar os limites de carga, a profundidade de descarga ou as potências do sistema. Se, por um lado, os utilizadores criticam que estas alterações cortam a autonomia e o desempenho real do carro, as marcas defendem que os ajustes servem exclusivamente para garantir a segurança e a longevidade dos módulos.
Dados da plataforma nacional de queixas de consumidores da China (12315) mostram que, apenas em março de 2026, foram registadas mais de 12.000 reclamações focadas neste tema, representando um salto expressivo de 273% face ao ano anterior. O debate ganhou ainda mais força recentemente devido a questões térmicas nas sessões de carregamento ultrarrápido. Durante uma demonstração em direto do sistema de carga flash de um megawatt da BYD, os sensores registaram temperaturas de 76 °C, o que reavivou as discussões sobre a gestão de calor nas células.
Curiosamente, toda esta agitação surge pouco depois de a esmagadora maioria destas marcas ter marcado presença no Salão Automóvel de Pequim de 2026. O evento confirmou a vitalidade do mercado ao atrair 1,28 milhões de visitantes e apresentar 181 estreias mundiais. No que diz respeito ao desempenho comercial, a Tesla registou 56.107 veículos vendidos internamente na China durante o mês de março, assegurando uma quota de mercado de 3,4%, de acordo com os dados partilhados pela publicação CarNewsChina.












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