
A gigante tecnológica Arm, cujos designs de chips já alimentam a grande maioria dos smartphones e computadores do mundo, está a realizar uma mudança histórica no seu modelo de negócio. Conforme revelou Alex Spinelli, vice-presidente sénior de IA e plataformas de desenvolvimento da empresa, numa entrevista ao Computerworld, a marca está a passar de uma simples licenciadora de designs para o fabrico do seu próprio hardware, focado especificamente em Inteligência Artificial Geral (AGI).
Esta nova estratégia coloca a Arm numa rota de colisão direta com gigantes como a Intel, a NVIDIA e a Apple. O centro desta revolução é o novo processador AGI CPU, que será utilizado por empresas como a OpenAI e a Meta. Para apoiar este hardware, a empresa lançou também a suite Performix, uma ferramenta que ajuda os engenheiros a identificar falhas de código e pontos críticos de processamento através de análises inteligentes.
A linguagem humana como o novo código
Segundo Alex Spinelli, estamos a entrar numa era em que a linguagem natural, como o inglês ou o português, se tornará a linguagem de programação de mais alto nível. O executivo explica que a engenharia de software não vai desaparecer, mas sim transformar-se. Em vez de escreverem linhas de código complexas em C++ ou Java, os profissionais utilizarão linguagem comum para criar os seus programas, funcionando os modelos de linguagem (LLMs) como os novos compiladores.
Neste novo paradigma, o papel do engenheiro de software evolui para uma mistura de gestão de produto, arquitetura e pensamento de design. Spinelli destaca que a compreensão profunda de como um computador funciona — desde a gestão da memória até ao funcionamento do processador — continua a ser vital. "Mesmo que nunca venhas a escrever código manualmente, saber o que acontece 'debaixo do capô' é o que permite guiar os agentes de IA, que por vezes tentam cortar caminhos ou ignorar boas práticas", refere o responsável da Arm.
Software descartável e o futuro da produtividade
Uma das previsões mais audazes da Arm para o futuro é o conceito de "software descartável", comparando a evolução tecnológica à moda rápida (fast fashion). Com a redução drástica dos custos de produção através da automação, as aplicações serão construídas com uma rapidez nunca vista. Se algo falhar, o custo de reconstruir do zero com a ajuda de agentes inteligentes será tão baixo que a reparação manual poderá tornar-se obsoleta.
A visão da Arm para as empresas passa pela criação de "enxames de agentes", onde cada engenheiro humano coordena vários assistentes virtuais especializados em tarefas de design, código ou testes. Ferramentas como o Claude Code ou o Codex já permitem vislumbrar este futuro, onde o objetivo não é apenas poupar custos, mas sim aumentar a capacidade de produção em dez vezes para responder à crescente procura tecnológica.












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