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A gigante tecnológica Samsung está a preparar-se para o pior e ativou um modo de gestão de emergência a poucos dias de uma greve massiva nas suas fábricas. De acordo com as informações avançadas pelo Tom's Hardware, a paralisação de 18 dias, com início marcado para o dia 21 de maio, resulta de um forte impasse em torno de bónus salariais e já está a forçar a empresa a reduzir a entrada de novos discos de silício nas linhas de produção, colocando equipamentos essenciais em modo de espera.

O custo de parar as fábricas de componentes

A paralisação tem um preço verdadeiramente astronómico. Estimativas do banco JPMorgan apontam para perdas totais que podem chegar aos 26 mil milhões de euros, somando os custos laborais e a interrupção geral da produção. O cenário agrava-se com a perspetiva do professor Kwon Seok-joon, da Universidade Sungkyunkwan, que prevê um prejuízo direto na ordem dos 15,8 mil milhões de euros apenas durante os 18 dias previstos para a greve. Contas feitas, trata-se de um rombo financeiro que ronda os 1,8 mil milhões de euros por dia com as linhas paradas.

Até ao momento, mais de 43 mil trabalhadores já confirmaram a sua adesão ao movimento, um número que se aproxima rapidamente do objetivo sindical de 50 mil pessoas. Isto representa mais de metade de toda a força de trabalho dedicada à divisão de semicondutores da empresa. As tentativas de acordo parecem ter esgotado as suas opções, com o sindicato a recusar uma proposta para retomar as negociações no sábado sem condições prévias, adiando qualquer diálogo para depois do final programado da greve, a 7 de junho.

Impacto global e a ameaça da concorrência

Como as linhas de fabrico são altamente automatizadas, o processo de reiniciar e estabilizar as máquinas pode demorar entre duas a três semanas adicionais. Na prática, o mercado global poderá enfrentar uma oferta bastante limitada durante cerca de mês e meio. Para tentar minimizar os danos, a empresa sul-coreana está a focar-se na produção de componentes de alto valor, como os semicondutores avançados e as memórias HBM, que são elementos fundamentais para a infraestrutura atual de inteligência artificial.

As projeções da TrendForce indicam que esta crise poderá comprometer até 4% do fornecimento mundial de DRAM e 3% do mercado de memórias NAND. No entanto, mais do que o impacto puramente financeiro, o grande risco para a fabricante reside na sua reputação. Qualquer atraso ou incerteza nas entregas de chips essenciais pode levar os grandes clientes tecnológicos a procurarem alternativas seguras, empurrando-os diretamente para os braços de rivais como a SK hynix e a Micron.

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