
O mercado de componentes informáticos acaba de sofrer um novo revés. Segundo informações avançadas pelo MyDrivers, cerca de 50 mil trabalhadores da Samsung entraram em greve após o colapso nas negociações salariais. Esta paralisação agrava uma situação já frágil, impulsionada pela elevada procura da indústria de inteligência artificial, resultando num aumento imediato e expressivo nos preços da memória RAM e de outros componentes essenciais.
Montar um computador peça a peça está a tornar-se uma tarefa cada vez mais dispendiosa. O custo de placas gráficas, armazenamento SSD e módulos de memória tem escalado sem controlo. Para se ter uma noção, construir um sistema inspirado numa Steam Machine de gama média, equipado com um processador Ryzen 5, 16 GB de RAM DDR5 e uma placa gráfica RX 9060 XT, ultrapassa facilmente a barreira dos 1000 euros. Se até agora a alternativa era recorrer a gerações anteriores, a verdade é que nem os formatos mais antigos escapam a esta inflação.
Impacto imediato no custo dos componentes
A fabricante sul-coreana domina atualmente cerca de 36% do mercado mundial de memórias, posicionando-se à frente de rivais como a SK Hynix e a Micron. O impacto desta paralisação laboral fez-se sentir de forma contundente em apenas uma semana. Curiosamente, foi a memória DDR4 produzida na China que registou o maior salto, com um aumento que chega aos 20%.
No mercado de revenda a granel, um módulo DDR4 de 8 GB a 3200 MHz custa agora cerca de 17 euros antes de margens de lucro de lojistas e impostos, o que se traduzirá num custo significativamente superior para o consumidor final em Portugal. O mercado de servidores também não passou incólume. A memória RDIMM DDR5 de 64 GB encareceu 11%, atingindo valores a rondar os 1250 euros, enquanto os módulos de 96 GB sofreram um incremento na ordem dos 10%. Pelo lado positivo, os discos SSD parecem ter estabilizado, embora permaneçam num patamar de preço muito elevado devido às subidas dos últimos meses.
Impasse nas negociações dita o rumo do mercado
O braço de ferro entre a gigante tecnológica e os seus colaboradores deve-se a exigências concretas do sindicato. Os representantes dos trabalhadores exigem a eliminação do limite de 50% sobre o salário base para o cálculo de bonificações, bem como a alocação de 15% dos lucros operacionais anuais para premiar o desempenho da força de trabalho.
A administração recusou estas condições, propondo apenas uma bonificação fixa durante o ano de 2026, sem quaisquer alterações estruturais. Perante a dimensão da greve e o impacto visível nas linhas de produção e nas cadeias de abastecimento globais, a empresa demonstrou abertura para regressar à mesa das negociações, na tentativa de normalizar o fluxo do mercado tecnológico antes que os preços disparem ainda mais.












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