
A poucos dias de uma paralisação massiva, o clima laboral na gigante tecnológica sul-coreana agravou-se consideravelmente. Segundo informações reveladas pelo Tom's Hardware, uma fuga de dados internos detalha que a Samsung recompensou os trabalhadores da sua divisão de memória com um bónus equivalente a 607% do seu salário anual, enquanto a secção dedicada ao design e fabrico de chips recebeu apenas metade do seu vencimento base. Esta forte discrepância está a alimentar acesa contestação no seio do sindicato, precisamente na reta final para a greve planeada para 21 de maio.
Diferença salarial milionária fomenta insatisfação
A fabricante asiática mantém uma posição de liderança em várias frentes do mercado, desde os televisores, onde supera marcas como a LG, a TCL e a Sony, até ao fornecimento global de componentes de armazenamento. Apesar de ter sido ultrapassada pela Apple no segmento dos telemóveis após o sucesso dos modelos iPhone 17, a venda de memória continua a gerar lucros históricos. As ações da empresa refletem este crescimento, tendo passado de 56.800 wones em maio de 2025 para uns impressionantes 275.000 wones na atualidade.
Contudo, esta prosperidade financeira não foi distribuída de forma uniforme por todos os colaboradores. O sindicato aponta que as bonificações anunciadas em março atribuem cerca de 500 milhões de wones aos profissionais da área de memória. Em forte contraste, os funcionários dedicados ao fabrico de chips e à área LSI ficarão por valores em redor dos 80 milhões de wones, correspondentes a prémios situados entre 50% e 100%. Para as estruturas sindicais, esta divisão cria grupos de primeira e segunda categoria dentro da mesma entidade, impulsionando a adesão ao protesto.
Negociações tensas e ameaça ao fornecimento global
Kim Hyung-ro, o então vice-presidente e principal negociador da empresa, tentou justificar a medida afirmando que a divisão de chips teria entrado em colapso se não fosse sustentada pelos enormes lucros gerados pelo setor das memórias, considerando assim os valores atribuídos como justos. A justificação gerou indignação entre os representantes dos trabalhadores, o que forçou a rápida substituição do negociador por parte da administração.
Com o arranque da greve de mais de 45 mil trabalhadores agendado para o dia 21 de maio e com uma duração estipulada de 18 dias, o impasse mantém-se. Um tribunal sul-coreano já emitiu deliberações a favor da empresa, impondo condições rígidas e a ameaça de multas para pressionar o sindicato. Caso a paralisação avance efetivamente, as estimativas apontam para prejuízos superiores a 2 mil milhões de dólares na indústria tecnológica, um cenário que deverá agravar a escassez de componentes e resultar numa subida considerável nos preços globais da memória RAM.












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