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Os dois maiores sindicatos da Samsung votaram a favor de um novo acordo salarial que evita uma paralisação sem precedentes na Coreia do Sul. A decisão assegura compensações que podem chegar aos 368 mil euros para os trabalhadores da divisão de processadores, de acordo com as informações avançadas pela Yonhap News e pela Bloomberg.

Negociações no limite e impacto económico

Durante um período de votação de seis dias que teve início a 22 de maio, cerca de 73,7% dos mais de 62 mil membros sindicais aprovaram o novo acordo com a administração. A ameaça de uma greve de 18 dias foi travada apenas uma hora antes do seu início previsto, graças à intervenção de Kim Young-hoon, Ministro do Trabalho sul-coreano, que assumiu o papel de mediador entre as duas partes.

O impacto de uma paralisação seria devastador não apenas para a empresa, mas para toda a economia do país. A fabricante tecnológica representa cerca de 12,5% do Produto Interno Bruto da Coreia do Sul, e o primeiro-ministro Kim Min-seok estimou que as perdas diretas da greve poderiam atingir os 615 milhões de euros de forma quase imediata.

Discrepância nos bónus causa tensão interna

Como parte do compromisso alcançado, a empresa aceitou abolir os limites máximos de bónus exigidos pelo sindicato, reservando 10,5% dos seus lucros operacionais anuais para estas distribuições. Com uma expectativa de lucro operacional recorde para este ano, a divisão de chips vai absorver 40% de todo este montante. Isto traduz-se em prémios que rondam os 312 mil euros em média por funcionário, o que equivale a cerca do triplo do seu salário anual.

Estes valores serão pagos em ações da empresa de forma faseada ao longo de dez anos, mas estão estritamente condicionados ao cumprimento de metas agressivas: a divisão terá de gerar pelo menos 122 mil milhões de euros de lucro anual entre 2026 e 2028, e perto de 60 mil milhões anuais no período de 2029 a 2035.

No entanto, o formato do acordo está a gerar um forte clima de tensão nos corredores da tecnológica. Enquanto os trabalhadores da divisão de memória e semicondutores preparam-se para receber um pacote milionário, os funcionários de outros departamentos — como os responsáveis pelos telemóveis, televisores e eletrodomésticos — deverão receber um bónus equivalente a apenas 3700 euros. Esta enorme diferença refletiu-se claramente nos resultados da votação: o sindicato maior, dominado pelo setor dos chips, aprovou o documento com 80% dos votos favoráveis, mas a estrutura sindical mais pequena, que representa as restantes áreas de negócio, registou apenas 21% de aprovação.

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