
A explosão impressionante do foguetão New Glenn, pertencente à Blue Origin, durante um teste de ignição na noite de quinta-feira, representa um duro revés para os planos de exploração espacial. Segundo avançou o portal Ars Technica, o incidente ocorreu nas instalações da empresa na Flórida e vai atrasar significativamente as missões lunares da NASA e o envio dos satélites da rede Leo da Amazon.
O evento teve lugar por volta das 21 horas locais, durante um teste onde sete motores do propulsor são acionados enquanto o veículo de quase 100 metros permanece fixo à base. A bola de fogo resultante danificou severamente a única plataforma de lançamento de que a empresa dispõe para este modelo.
Impacto severo nas infraestruturas e calendário
De acordo com as informações apuradas, os danos na plataforma LC-36A são extensos, com equipamentos cruciais como a torre de proteção contra raios e o sistema de transporte e elevação possivelmente irrecuperáveis. Este cenário afasta quase por completo a possibilidade de um novo lançamento ainda em 2026. Especialistas da área apontam que conseguir realizar um voo na primeira metade de 2027 já seria um feito extraordinário, dadas as preocupações com o estado do local.
Através da rede social X, Jeff Bezos, líder da empresa, partilhou uma publicação referindo que ainda é cedo para determinar a causa exata, mas garantiu que a equipa já trabalha para a encontrar. Salientou que foi um dia muito difícil, prometendo reconstruir o que for necessário para voltarem a voar.
Consequências para a NASA e o projeto da Amazon
Este revés afeta diretamente os projetos da agência espacial norte-americana. A NASA tinha planeado usar o New Glenn para transportar um módulo lunar robótico já no outono de 2026. Além disso, o veículo está agendado para participar na missão Artemis III em 2027, onde astronautas deverão acoplar a cápsula Orion a módulos desenvolvidos pela Blue Origin e pela SpaceX.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, recorreu também ao X para salientar que o desenvolvimento de novas capacidades de lançamento pesado é extraordinariamente complexo e que apoiarão os parceiros na investigação minuciosa desta anomalia, de forma a avaliar os impactos a curto prazo.
No campo das telecomunicações, o foguetão estava a ser preparado para colocar em órbita 48 satélites da rede Leo, o maior lote planeado para um único lançamento, embora estes não estivessem a bordo durante o teste. A tecnológica tem até 30 de julho de 2026 para lançar uma parte significativa da sua constelação, o que a obrigará agora a depender mais de fornecedores secundários e de empresas rivais. Até o próprio Elon Musk deixou uma palavra de solidariedade, desejando uma rápida recuperação à equipa adversária.












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