
Andar a passear por Londres e ficar sem o telemóvel num piscar de olhos tem sido um problema tão grave que a Polícia Metropolitana passou a tratar a situação como uma rede de crime internacional. No entanto, segundo dados avançados pela AppleInsider, a maré parece estar a mudar a favor dos utilizadores. A taxa de sucesso dos criminosos na reativação de um iPhone roubado caiu a pique nas últimas semanas, retirando o atrativo financeiro que alimentava este mercado negro.
O fim da festa para os amigos do alheio
A verdadeira dor de cabeça para as máfias atende pelo nome de Proteção de Dispositivo Roubado. Esta funcionalidade da Apple, introduzida inicialmente no sistema operativo iOS 17.3 e ativada por defeito desde o iOS 26.4 em março de 2026, obriga à utilização do Face ID ou Touch ID para executar qualquer ação sensível. Acabou a facilidade de usar apenas o código numérico para apagar o conteúdo ou alterar definições críticas da conta.
Na prática, mesmo que o larápio consiga observar o utilizador a digitar o código antes de lhe arrancar o equipamento das mãos, não consegue fazer uma reposição de fábrica para o vender como novo. Existe ainda um compasso de espera de segurança de uma hora para alterar senhas ou desativar ferramentas de localização. Este pequeno atraso é exatamente o tempo que a vítima precisa para bloquear a sua conta e marcar o equipamento como perdido.

Polícia e tecnologia de mãos dadas
O impacto destas medidas já é mensurável nas ruas. Sir Mark Rowley, o comissário da Polícia Metropolitana de Londres, confirmou que o cenário inverteu-se por completo. Se há poucos meses cerca de 80% dos equipamentos roubados voltavam a circular no mercado, agora apenas 20% conseguem ser reativados com sucesso. E a parceria com a marca da maçã não fica por aqui, já que as autoridades partilham agora os identificadores dos equipamentos subtraídos para rastrear o seu destino final, seja a desmontagem para peças ou a exportação.
Os números mostram que retirar o incentivo financeiro funciona melhor do que tentar apanhar quem foge de trotinete. Entre junho de 2025 e maio de 2026, os furtos caíram em 14 mil casos, o que representa uma redução de 18% face ao período homólogo. Nos primeiros cinco meses de 2026, a quebra foi de 20,6%, com zonas críticas como Westminster a registarem quedas de quase 46%. A escala deste negócio era impressionante: as autoridades desmantelaram redes que exportaram 40 mil equipamentos do Reino Unido para a China entre 2024 e 2025. O que antes era um roubo garantido, agora resulta apenas num pisa-papéis muito caro.












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