
A popularidade do Mundial de Futebol está a ser ativamente aproveitada por redes de cibercriminosos para aplicar golpes digitais contra os adeptos. Várias equipas de segurança identificaram campanhas fraudulentas em massa que visam roubar dados bancários e credenciais de acessos. Os esquemas focam-se em plataformas falsas de venda de bilhetes, reservas de alojamento e sistemas ilegais de apostas desportivas.
De acordo com o relatório detalhado pelo Hackread, estas ameaças foram rastreadas inicialmente por Prashant Kumar, investigador do Forcepoint X-Labs. A operação usa múltiplas variantes e já espalhou mais de 100 ligações falsas na internet, sendo que o maior volume de tráfego se concentra em atrair utilizadores para plataformas de apostas não autorizadas associadas aos jogos em direto.
Plataformas falsas imitam hotéis e o site oficial da FIFA
Os investigadores descobriram que os burlões registaram domínios específicos como cn-web-fifacwc[.]com e zone-2026fifa.com. Embora exibam textos em chinês, as páginas mudam de idioma de forma personalizada para visar utilizadores de regiões da Ásia, França e África, prometendo prémios garantidos para quem submeter apostas. O objetivo real passa por recolher utilizadores e senhas de contas legítimas.

Além disso, foram detetadas 14 redes falsas voltadas para a reserva de hotéis em cidades que acolhem as partidas, como Nova York, Miami e Dallas. Os endereços utilizam a estrutura fifaworldcup2026cityhotels.com e foram registados de forma automatizada com escassos 32 minutos de diferença entre si. O alvo principal são os viajantes que procuram alojamento de última hora e acabam por introduzir os dados do cartão de crédito. Para agravar o cenário, a estrutura do site oficial da entidade desportiva foi clonada no domínio fifa.monster, que monitoriza os visitantes em segredo para posterior envio de publicidade enganosa.
Fraude em tempo real intercetará códigos de segurança bancários
Outras empresas do setor da cibersegurança, incluindo a CloudSEK e a Netcraft, também analisaram a campanha. A CloudSEK localizou a infraestrutura central na China, associada a um painel de pagamentos clandestino. Para aumentar a credibilidade do golpe, os criminosos integraram um sistema de conversação em tempo real legítimo, o tawk.to, conversando diretamente com as vítimas que tentam comprar ingressos ou efetuar pagamentos em sites como ww-fifa.com.
A recolha dos dados bancários acontece em tempo real. Enquanto o utilizador preenche os campos na página clonada, os atacantes observam as ações em direto. No momento em que a instituição bancária envia a mensagem de texto com o código de verificação OTP (senha de uso único), os burlões capturam esses dígitos na mesma altura em que são digitados. Desta forma, conseguem contornar os mecanismos de segurança dos bancos e assumir o controlo das contas. A Forcepoint confirmou que está a avançar com o bloqueio dos domínios detetados, atualizando os seus sistemas de proteção para mitigar os novos links que são gerados diariamente. Com o aumento destas ameaças globais, confirma-se que o Mundial 2026 é alvo de uma vaga crescente de burlas digitais.












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