
A criminalidade transfronteiriça e o terrorismo operam de forma cada vez mais sofisticada no espaço digital, exigindo uma resposta à altura por parte das autoridades. Para fazer face a esta evolução, a União Europeia tenciona alargar os poderes e os recursos tecnológicos da Europol e da Eurojust, conforme detalhado no comunicado da Comissão Europeia. O plano prevê um salto substancial na capacidade de colaboração em tempo real entre as várias forças de segurança.
Nova infraestrutura digital e partilha de informação
O centro desta modernização assenta na criação de uma infraestrutura de nuvem soberana e de um espaço partilhado de dados policiais. Na prática, isto significa que entidades como a Polícia Judiciária em Portugal poderão aceder e cruzar informações com investigadores de outros países europeus quase instantaneamente. A medida procura contornar os obstáculos administrativos que costumam atrasar as investigações internacionais, o que facilita uma resposta muito mais rápida a ameaças complexas.
Além do reforço das redes de comunicação, a proposta estabelece a criação de um polo de inovação e tecnologia. O seu principal objetivo passa por desenvolver novas ferramentas de policiamento e apoiar as autoridades nacionais na adoção de tecnologias vitais para a investigação criminal conjunta. A Europol terá assim um papel ativo no desenvolvimento dos instrumentos necessários para combater o crime moderno.
Um investimento multimilionário na segurança europeia
Para suportar este esforço tecnológico, o braço executivo da União Europeia tenciona duplicar o orçamento da Europol, fixando o valor nos três mil milhões de euros para o período compreendido entre 2028 e 2034. Este reforço financeiro tem como fim não apenas a aquisição tecnológica, mas também duplicar o quadro de pessoal da agência para lidar com as crescentes exigências de segurança do continente.
A vice-presidente executiva para a soberania tecnológica, Henna Virkkunen, explicou que os criminosos exploram as oportunidades do mundo digital sem limitações de fronteiras, o que obriga a uma modernização imediata para que a Europa reaja com maior rapidez. Na mesma linha, Magnus Brunner, comissário para os Assuntos Internos, frisou que este passo demonstra o compromisso sério do bloco em antecipar as ameaças criminais. Para que estas novas medidas operacionais entrem em vigor, o projeto necessita ainda da aprovação final do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia.












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