
Investigar as ferramentas de vigilância de governos acabou por colocar o jornalista e ex-político grego Stelios Kouloglou na mira exata da tecnologia que analisava. O caso, confirmado por especialistas de segurança da Universidade de Toronto, marca a primeira vez que um membro da comissão europeia PEGA é identificado publicamente como vítima, levantando sérias questões sobre os limites destas tecnologias, segundo avança o TechCrunch.
Ataque invisível aos equipamentos
O relatório do Citizen Lab detalha que a interceção ocorreu inicialmente em outubro de 2022, repetindo-se pelo menos duas vezes em março de 2023. Os operadores exploraram uma vulnerabilidade no sistema de casa inteligente da Apple para se infiltrarem no iPhone do investigador. Foi utilizado um método que não requer qualquer clique ou interação do utilizador, extraindo silenciosamente mensagens, dados de localização e fotografias da vítima.
Este nível de intrusão demonstra como as barreiras de privacidade continuam frágeis. A mesma conta associada à ferramenta já tinha sido usada numa campanha contra jornalistas noutros países europeus. O padrão sugere que o cliente governamental mantinha autorização do NSO Group para vigiar alvos através de diferentes fronteiras do bloco europeu, atuando sem fiscalização visível.
Timing suspeito e ação judicial
O calendário das interceções coincide com momentos delicados da investigação. A primeira invasão deu-se na exata altura em que Kouloglou se encontrava no hospital para uma cirurgia, enquanto decorriam discussões sobre os rascunhos do relatório focados em abusos na Grécia, Hungria, Polónia e Espanha. Os responsáveis pelo ataque terão tido acesso a áudio ambiente, captando conversas médicas e privadas com visitas.
Em resposta à violação que classificou como negligente, o ex-deputado planeia avançar com um processo contra o NSO Group. Enquanto a empresa israelita enfrenta restrições pesadas no mercado norte-americano motivadas por ordens executivas focadas nos direitos humanos, a situação expõe uma realidade diferente no nosso continente. A ausência de regras rigorosas na União Europeia continua a abrir espaço para que Estados-membros adquiram e direcionem estas ferramentas contra vozes críticas e investigadores.












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