
A fabricante chinesa deu um salto gigantesco na sua infraestrutura tecnológica. O orçamento interno destinado a servidores baseados em unidades de processamento gráfico subiu de 4 mil milhões de yuan para mais de 10 mil milhões de yuan, o equivalente a cerca de 1,3 mil milhões de euros. Este movimento sublinha a transição clara da empresa, habitualmente focada nos telemóveis e dispositivos inteligentes, para se consolidar como uma potência no processamento avançado.
Segundo informações partilhadas pelo portal Jiemian News, a forte expansão decorre em parceria com a Kingsoft Cloud e tem como objetivo dar resposta à procura vertiginosa de capacidade de cálculo. As exigências da marca cresceram de um agrupamento inicial de 10 mil unidades para uma superestrutura de escala gigante.
O financiamento da infraestrutura de ponta
Para acomodar este volume de processamento, a Kingsoft Cloud reviu em alta o seu plano de despesas de capital de 2026, fixando-o nos 1,9 mil milhões de euros. O esquema de colaboração desenhado permite uma escalabilidade muito acelerada, com a Xiaomi a realizar o pagamento antecipado de alugueres a longo prazo. Este adiantamento cobre entre 20% a 30% do esforço inicial de aquisição do hardware, sendo o remanescente suportado por empréstimos bancários e financiamento externo.
A escala deste compromisso é substancial. Os dados indicam que as compras diretas de hardware focado em inteligência artificial poderão ultrapassar os 5,2 mil milhões de euros num curto prazo, com um potencial de atingir perto de 13 mil milhões de euros ao longo dos próximos dois anos.
Para o consumidor em Portugal, esta estrutura física massiva tem implicações diretas. É este tipo de centro de dados que permite garantir baixas latências e funcionalidades quase instantâneas no HyperOS, alimentar os assistentes virtuais de nova geração e suportar os sistemas de condução autónoma nos veículos elétricos da fabricante, que dependem totalmente de aprendizagem de máquina.
Alibaba e a corrida aos servidores globais
O documento detalha também outros movimentos de peso na indústria, apontando que a Alibaba selou um acordo de aluguer de cinco anos com a Kingsoft Cloud para mais de três mil servidores equipados com oito unidades de processamento cada. Assim que estiver a operar em pleno, estima-se que este contrato gere receitas mensais na ordem dos 39 milhões de euros para a fornecedora da nuvem.
Este cenário ilustra a corrida agressiva das empresas tecnológicas mundiais para alicerçarem fisicamente os seus próprios modelos de linguagem e soluções gerativas. A estratégia integra-se ainda no plano abrangente revelado pelo CEO Lei Jun no início do ano, que confirmava uma injeção superior a 7,8 mil milhões de euros na área da inteligência artificial durante um período de três anos.












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