
A id Software, conhecida criadora da franquia Doom, viu-se no centro das atenções após ser uma das equipas mais afetadas pela recente onda de 1.600 despedimentos na Xbox. Segundo avançou o Kotaku, a situação gerou intensos rumores sobre o futuro da produtora sob a alçada da Microsoft, levando a liderança a esclarecer a verdadeira dimensão dos cortes de pessoal.
O estado real do motor id Tech e da equipa
Durante uma transmissão na Twitch dedicada ao novo DLC "Revelations" do jogo de 2025, o diretor criativo Hugo Martin, acompanhado pelo líder de comunidade Joshua Boyle, abordou diretamente as preocupações dos fãs. Martin refutou categoricamente as alegações de que a empresa teria sido desmantelada.
"Existem relatos de que fomos 'nerfados' e 'eviscerados', e que temos apenas 50 pessoas, e isso não é verdade", garantiu o diretor perto do fim da transmissão. "Temos o mesmo tamanho que tínhamos quando criámos o Doom de 2016, e o id Tech está bem vivo e de boa saúde. Têm de perceber que temos engenheiros id Tech tanto em Frankfurt como na MachineGames. Colaboramos bastante."
As dúvidas estendiam-se à viabilidade deste motor gráfico proprietário, especialmente após a saída do Diretor de Tecnologia de Motor e de outros elementos críticos. A administração rejeitou a ideia de que a tecnologia entraria em declínio, com Martin a reforçar que "o id Tech está aí, a equipa do Doom está aqui, e estamos entusiasmados por partilhar convosco mais do que estamos a desenvolver para o futuro, assim que for apropriado e aprovado".
Protestos e o impacto humano das reestruturações
Enquanto a direção tenta acalmar os receios comerciais, a realidade dos ex-funcionários espelha um cenário complexo. Entre os profissionais dispensados encontrava-se Jerry Keehan, Diretor de Design de Missões, que ingressou na id Software em 2003 e trabalhava na série desde Doom 3. Vários trabalhadores afetados pelos cortes rejeitam a narrativa oficial, afirmando que o estúdio já não retém o mesmo nível de recursos e veteranos de há uma década.
Este descontentamento culminou hoje com protestos à porta dos antigos escritórios da produtora. Os profissionais despedidos são representados pela Communications Workers of America (CWA), que na passada quinta-feira apresentou queixas laborais acusando a gestão de se recusar a negociar com o sindicato antes de efetivar a saída de centenas de programadores de videojogos.
Para encerrar a sua intervenção, Hugo Martin deixou pistas sobre possíveis atualizações para o DLC Revelations e descreveu o projeto como um tributo ao trabalho de todos. "O facto de termos feito um jogo que as pessoas gostam e que é um sucesso comercial e de crítica [...] é bom para todos, para as pessoas no estúdio, para as pessoas de quem, infelizmente, tivemos de nos despedir", concluiu o diretor, salientando que o foco primordial é "celebrar o trabalho" e assegurar a qualidade dos jogos.












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