
Vários servidores montados dentro de contentores de transporte e equipados com 288 placas gráficas RTX 5090 estão a ser comercializados na China. Segundo uma publicação partilhada na rede social X, estas estruturas independentes contam com sistemas personalizados de refrigeração líquida, ar condicionado e um gerador de energia próprio, transformando componentes de consumo numa infraestrutura industrial capaz de alimentar tarefas pesadas de inteligência artificial.
A RTX 5090, lançada pela NVIDIA em fevereiro de 2025, solidificou-se como o componente de consumo mais potente do mercado, oferecendo um desempenho cerca de 30% superior ao da anterior geração RTX 4090. Contudo, o aumento generalizado no custo das memórias VRAM fez com que os preços destas placas disparassem para patamares entre os 3000 €, 4000 € ou até 5000 € por unidade nas lojas. Este cenário inflacionado não travou a forte procura, especialmente em regiões afetadas por sanções comerciais que limitam o acesso a chips de processamento empresarial.
Contornar as restrições com o mercado cinzento
As restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos proíbem a venda direta de hardware avançado de inteligência artificial a entidades chinesas. Para contornar estas barreiras, a marca norte-americana chegou a desenvolver variantes específicas e limitadas, como a RTX 4090D e a posterior RTX 5090D, que recebeu revisões adicionais de desempenho. Apesar destas limitações de fábrica, o mercado cinzento através de países terceiros continua a fornecer modelos padrão para projetos de grande escala.
Nestes novos servidores em formato de contentor, o calor gerado pelas quase 300 placas gráficas a funcionar em simultâneo exige uma engenharia complexa. Toda a estrutura conta com um sistema de refrigeração líquida customizado, cujos radiadores e ventoinhas industriais estão instalados no topo do habitáculo para expelir o ar quente de forma contínua.
Infraestrutura autónoma a preço milionário
A instalação vai muito além do poder de processamento bruto. Cada contentor funciona como um centro de dados móvel e totalmente autónomo, incluindo uma matriz u2 para armazenamento rápido, ar condicionado de alta potência e um gerador elétrico dedicado para garantir o funcionamento ininterrupto de todo o sistema.
Como seria de esperar, esta solução acarreta um custo astronómico. O preço final de cada unidade cifra-se em cerca de 4,27 milhões de euros (o equivalente a 4,64 milhões de dólares), um valor que já inclui as despesas de envio, impostos associados e a manutenção técnica do equipamento. Para os utilizadores em Portugal, importa notar que a importação de soluções semelhantes estaria sujeita a taxas alfandegárias diferentes e ao IVA local. Embora existam alternativas mais eficientes desenhadas de raiz para centros de dados, este negócio invulgar prova que há clientes dispostos a pagar fortunas para garantir o ecossistema da arquitetura gráfica atual.












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