
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quinta-feira (13) a aplicação de novas taxas alfandegárias que podem chegar aos 100% sobre drones e componentes de fabrico estrangeiro. Segundo avançou o The Verge, a medida foi oficializada pela Casa Branca e entra em vigor a partir do dia 3 de setembro.
O grande impulsionador desta decisão é a necessidade de fortalecer a indústria local e cortar a profunda dependência que entidades do governo e militares norte-americanas ainda mantêm em relação a equipamentos fabricados em países como a China. O relatório da Casa Branca classifica os drones como "uma tecnologia-chave nos conflitos armados modernos e fundamentais para as operações militares atuais e futuras dos EUA", destacando o seu uso intensivo na atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esta nova diretriz surge no seguimento de políticas restritivas anteriores, como o banimento de novos drones da DJI no final de 2025.
O peso militar na decisão
A nova estratégia foca-se claramente na segurança nacional. O governo norte-americano encara os veículos não tripulados como elementos vitais para a guerra moderna, o que torna a dependência externa um risco inaceitável. O objetivo é forçar a produção interna de tecnologias de ponta.
Para contornar estas tarifas, as empresas terão de se comprometer a fabricar os drones ou os seus componentes vitais em território norte-americano. A simples montagem de peças importadas não será suficiente para escapar à taxação. Adicionalmente, está previsto o lançamento de um programa de incentivos para impulsionar o fabrico nacional destes dispositivos, mas com um foco estrito no setor militar, deixando de fora áreas civis como o audiovisual ou a agricultura.
Como funcionam as novas tarifas e as exceções
A estrutura tarifária foi desenhada para penalizar sobretudo os equipamentos de maior porte e capacidade tecnológica. O escalão máximo de 100% será aplicado a drones com 25 kg ou mais na descolagem, modelos equipados com câmaras de imagem térmica, estações de carregamento e outros componentes essenciais.
Para os modelos de menor dimensão e respetivas peças, a taxa aplicada será de 25%. No entanto, o governo norte-americano estabeleceu tarifas mais reduzidas para nações com as quais mantém boas relações diplomáticas. O Reino Unido terá uma taxa de 10%, enquanto um grupo alargado que inclui a União Europeia, o Japão, a Coreia do Sul, a Suíça, o Liechtenstein e Taiwan beneficiará de uma tarifa de 15%. Para os consumidores europeus e portugueses, o encarecimento das peças poderá acabar por inflacionar o preço final destes equipamentos tecnológicos a longo prazo, dada a complexidade das cadeias de abastecimento globais.












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