
É um facto que a gigante de Cupertino tem enfrentado alguns desafios para afinar os recursos da Apple Intelligence e tornar a Siri numa assistente verdadeiramente funcional e competitiva. No entanto, isso não significa que os laboratórios da empresa estejam parados. Numa demonstração de força no campo da investigação, a Apple revelou esta semana o SHARP (Single-image High-Accuracy Real-time Parallax), um modelo de inteligência artificial inovador capaz de gerar representações tridimensionais a partir de uma simples imagem plana.
Esta tecnologia, divulgada num contexto de pesquisa académica, aponta para um futuro onde a visualização avançada e a realidade virtual ganham uma nova dimensão de realismo e profundidade.
Magia em 3D a partir de uma única imagem
O segredo por detrás do SHARP reside no seu treino intensivo. O modelo foi "ensinado" através de milhões de cenas sintéticas, criadas especificamente para simular ambientes do mundo real. Graças a esta base de dados massiva, o sistema consegue compreender padrões complexos de geometria e profundidade, inferindo como seria a estrutura tridimensional de uma fotografia 2D convencional.
Para que a magia aconteça, o SHARP estima mapas de profundidade densos e refina a cena utilizando uma técnica baseada em Gaussianas 3D. Em termos simples, o modelo cria milhões de pontos de luz e cor posicionados em coordenadas tridimensionais precisas, reconstruindo a imagem com volume.
O mais impressionante é a eficiência deste processo. Ao contrário das abordagens tradicionais, que podem demorar minutos ou até horas a processar uma cena, o SHARP executa toda a conversão em menos de um segundo, desde que corra numa GPU de alto desempenho. O resultado final mantém uma fidelidade visual extremamente próxima da imagem original, mas com a vantagem da profundidade.
O futuro da realidade mista e o Vision Pro
Embora apresentado como uma ferramenta de pesquisa, as aplicações práticas desta tecnologia parecem ter um destino óbvio: o ecossistema de realidade mista da marca. O SHARP parece ter sido desenhado à medida para resolver desafios típicos da realidade virtual, onde pequenos movimentos da cabeça ou mudanças de postura exigem que a imagem responda com o paralaxe e a profundidade corretos para não quebrar a imersão.
Isto sugere que a tecnologia poderá vir a ser fundamental para a criação de conteúdos futuros no Apple Vision Pro, permitindo que fotos antigas ganhem uma nova vida espacial. Contudo, existe uma limitação importante a notar: o modelo não permite uma navegação completa pelo ambiente como num videojogo. O foco está em visualizações próximas e naturais, ideais para reviver memórias ou examinar objetos, conforme detalhado pelo 9to5Mac.










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