
Durante a sua apresentação principal na CES 2026, Lisa Su, CEO da AMD, lançou uma pergunta à plateia que deixou muitos sem resposta: "Quantos de vocês sabem o que é um yottaflop?". O silêncio na sala foi revelador, servindo de mote para uma previsão ousada sobre o futuro da computação e da Inteligência Artificial.
Segundo a executiva, a escala de crescimento da IA é de tal ordem que, nos próximos cinco anos, o mundo necessitará de mais de "10 yottaflops" de capacidade de computação para acompanhar a procura.
Uma nova medida para uma nova era
Perante a falta de mãos levantadas na audiência, Lisa Su apressou-se a explicar o conceito. Um "yottaflop" corresponde a um número um seguido de 24 zeros. Para colocar isto em perspetiva, a CEO da AMD explicou que atingir a marca dos 10 yottaflops representaria um aumento de 10.000 vezes na capacidade de computação face ao que existia em 2022.
Na linguagem informática, um "flop" (floating point operations per second) representa uma única operação matemática básica. Enquanto estamos habituados a ouvir falar em teraflops ou, mais recentemente, em exaflops no mundo dos supercomputadores, a escala "yotta" é quase incompreensível para o consumidor comum. Um yottaflop equivale a um computador capaz de realizar um septilhão de cálculos por segundo.
Em teoria, cientistas afirmam que 10 yottaflops seriam suficientes para correr simulações complexas ao nível atómico de planetas inteiros.
O crescimento explosivo e o desafio energético
Os dados apresentados pela AMD mostram uma trajetória vertiginosa. Em 2022, a computação global dedicada à IA rondava um zettaflop (um seguido de 21 zeros). Em 2025, esse valor já tinha disparado para mais de 100 zettaflops.

"Nunca houve nada como isto na história da computação", afirmou Su na conferência em Las Vegas. A previsão de atingir 10 yottaflops colocaria essa capacidade num patamar cerca de 5,6 milhões de vezes mais rápido do que o supercomputador mais poderoso da atualidade, o El Capitan do Departamento de Energia dos EUA.
No entanto, este crescimento traz um desafio físico real: a energia. Alimentar a computação de IA atual já está a colocar uma pressão significativa na rede elétrica dos Estados Unidos. A construção de infraestruturas energéticas capazes de suportar este aumento será um dos maiores estrangulamentos para escalar o poder da IA.
Para responder a esta procura insaciável, Lisa Su aproveitou o palco para revelar a próxima geração de chips de IA da empresa, incluindo a nova GPU MI455, reforçando a aposta da marca no fornecimento de hardware para centros de dados e clientes de peso como a OpenAI, conforme reportado pelo Business Insider.










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