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Robot a dançar

No mundo competitivo da robótica, a primeira impressão conta muito, e a Rússia aprendeu isso da forma mais dura. Depois do fiasco viral do robô AIDOL, que tentou impressionar o público mas acabou por cair desamparado no palco, Moscovo está de volta à carga com uma abordagem diferente. Desta vez, a aposta chama-se Green, um humanoide desenvolvido pela Sber que não só promete manter-se de pé, como até arrisca uns passos de dança diante do presidente Vladimir Putin.

A apresentação decorreu durante a conferência "Artificial Intelligence Journey 2025", onde a Rússia tentou demonstrar que ainda tem uma palavra a dizer num setor fortemente dominado pelas inovações vindas dos Estados Unidos e da China.

De um "fiasco" viral a passos de dança

Para entender a importância do Green, é preciso recuar um pouco. A tentativa anterior da Rússia de apresentar um "robô antropomórfico nacional" resultou num momento de embaraço público, quando o modelo AIDOL perdeu o equilíbrio e caiu de cara no chão, tornando-se material instantâneo para memes. A Sber, o maior banco russo que se transformou num gigante tecnológico, assumiu a responsabilidade de limpar essa imagem.

O novo robô, Green, foi concebido para ser uma demonstração de estabilidade e controlo. Equipado com mais de uma centena de motores e uma vasta rede de sensores, o humanoide conseguiu mover-se autonomamente e interagir com o espaço real. Numa demonstração de confiança — e talvez de audácia —, o robô dirigiu-se diretamente a Vladimir Putin: "O meu nome é Green. Sou o primeiro robô humanoide russo a possuir Inteligência Artificial incorporada", afirmou a máquina, antes de executar uma dança para o chefe de Estado, conforme documentado no site oficial do Kremlin.

A Sber enfatiza que o Green não é apenas uma "demonstração num ecrã", mas sim uma personificação física da tecnologia, integrando o modelo de linguagem GigaChat para processar interações.

Soberania tecnológica e o fosso para o Ocidente

O conceito central por trás do Green é a "IA incorporada". Ao contrário de um chatbot que vive num servidor e responde a texto, este sistema visa interpretar o ambiente através de câmaras e microfones, tomando decisões de movimento em tempo real. Esta abordagem coloca o hardware ao serviço da inteligência artificial, uma filosofia que a Rússia considera essencial para garantir a sua soberania tecnológica.

A estratégia de Moscovo é clara: desenvolver modelos e hardware dentro de portas para não depender de tecnologia estrangeira, especialmente num cenário geopolítico tenso. No entanto, a distância para os líderes de mercado continua a ser notável. Enquanto figuras como Elon Musk e empresas como a Boston Dynamics ou a Unitree apresentam produtos quase prontos para o mercado, o Green permanece, por agora, uma demonstração tecnológica sem data de lançamento comercial ou preço definido.

Resta saber se a dança do Green será suficiente para convencer o mundo de que a robótica russa está pronta para sair dos palcos e entrar na vida quotidiana, ou se continuará a ser um esforço de prestígio numa corrida onde outros já levam um avanço considerável.

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