
Durante anos, o iPhone foi a referência indiscutível no mercado chinês, resistindo às investidas constantes dos fabricantes locais. Marcas como a Xiaomi, OPPO e Vivo lutaram para criar produtos à altura, muitas vezes superando a oferta da Maçã em especificações como a fotografia, para conquistar um lugar ao sol. No entanto, o cenário mudou drasticamente e o domínio ocidental já não é uma garantia.
A Huawei, contra todas as expectativas e restrições, ocupa o primeiro lugar no seu mercado doméstico há mais de dois anos. Os dados referentes a 2025 mostram que, apesar de uma ligeira queda de 1,9% no crescimento anual, a gigante chinesa mantém a liderança com 16,4% de quota de mercado. A perseguição é feita de perto pela Apple, que detém 16,2% do mercado, impulsionada por um crescimento anual de 4% graças à forte adesão à família iPhone 17.
Curiosamente, este cenário local contrasta com o panorama global, onde a empresa de Cupertino já conseguiu ultrapassar a Samsung, tornando-se a maior fabricante mundial.
Uma batalha de titãs decidida por décimas
Apesar da liderança da Huawei, os números indicam que nada está garantido para 2026. A diferença entre os cinco principais fabricantes nunca foi tão curta, criando um cenário de competitividade feroz:
Huawei: 16,4%
Apple: 16,2%
Vivo: 16,2%
Xiaomi: 15,4%
OPPO: 15,2%

Com margens tão estreitas, é esperado que as posições no ranking oscilem constantemente ao longo do próximo ano. A mensagem, contudo, é clara: a Huawei conseguiu segurar o seu território, obrigando os rivais a redobrar esforços.
A resiliência da Huawei e a evolução chinesa
O caso da Huawei é único no panorama tecnológico. Enquanto concorrentes como a Vivo, OPPO e Xiaomi mantêm parcerias estreitas com a Qualcomm para equipar os seus topos de gama com os chips mais potentes do ecossistema Android, a Huawei foi forçada a seguir um caminho solitário.
Devido às restrições comerciais, a empresa teve de desenvolver os seus próprios processadores em parceria com a SMIC, criar um ecossistema de software independente do Android e redesenhar toda a sua cadeia de fornecimento. Esta aposta forçada no mercado doméstico, onde a ausência dos serviços Google já é a norma, acabou por fortalecer a marca junto do público local.
Por outro lado, o estigma de que os smartphones chineses oferecem especificações "aleatórias" ou software inferior está a desaparecer. Hoje, estas marcas apresentam propostas de hardware extremamente ambiciosas, liderando frequentemente em áreas como a capacidade das baterias e a fotografia, onde começam a abrir uma vantagem considerável face a gigantes como a Google e a Samsung.
O cenário global e o que esperar de 2026
Embora o mercado chinês seja um excelente barómetro para a inovação, o cenário global mantém as suas particularidades. A nível mundial, a Apple e a Samsung continuam a jogar numa liga própria, com quotas de mercado a rondar os 20% e 19%, respetivamente. Apenas a Xiaomi consegue aproximar-se, segurando uma fatia de 13%.
Para 2026, as previsões da Counterpoint apontam para um ano de crescimento modesto. No entanto, avizinha-se uma tempestade no horizonte para os consumidores: a crise global nos preços das memórias DRAM e NAND deverá forçar um aumento generalizado nos preços dos smartphones, uma tendência que poderá redefinir as estratégias de todas as marcas, da China para o mundo.










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