
O tanque Abrams é amplamente reconhecido como uma das máquinas de combate mais capazes do mundo, mas o peso dos anos começa a fazer-se sentir. Para manter a relevância no campo de batalha moderno, o exército dos EUA decidiu modernizar este ícone com uma abordagem radical: a introdução de uma motorização híbrida. O resultado é o protótipo M1E3, que foi apresentado recentemente no Salão Automóvel de Detroit, prometendo maior eficiência e uma redução drástica de peso.
Adeus turbina, olá eficiência a diesel
A mudança mais significativa encontra-se no compartimento do motor. A famosa turbina Honeywell de 1500 cavalos, conhecida pelo seu consumo voraz e manutenção complexa, foi reformada. No seu lugar, surge um motor diesel Caterpillar C13D, capaz de debitar 690 cavalos na sua configuração base. A grande vantagem desta troca prende-se com a logística: ao contrário da antiga turbina, que exigia envio para bases especializadas em caso de avaria, o motor Caterpillar é comum em maquinaria pesada industrial, o que facilita imenso a obtenção de peças e a manutenção em qualquer parte do globo.
A transmissão também foi revista, dando lugar a um sistema híbrido da SAPA que integra uma unidade de propulsão elétrica. Esta configuração permite utilizar o motor de combustão e o motor elétrico em simultâneo ou de forma independente. Uma das grandes mais-valias táticas é a capacidade de a tripulação operar os sistemas do tanque em silêncio total, utilizando apenas a energia elétrica em situações que exijam discrição.
Uma dieta rigorosa e controlos familiares
Alex Miller, diretor de tecnologia do Exército norte-americano, revelou que o novo M1E3 é entre 20% a 30% mais leve do que o modelo anterior. O objetivo é que o tanque não ultrapasse as 60 toneladas, uma diferença substancial face às mais de 80 toneladas que o Abrams clássico pode atingir quando totalmente carregado. Esta "dieta", aliada à propulsão híbrida, resulta numa melhoria na eficiência de combustível que pode chegar aos 50%.
A tecnologia a bordo também recebeu uma atualização profunda. O sistema opera numa arquitetura de software personalizada, permitindo a integração de novos equipamentos, como microfones para detetar drones à distância e um sistema de câmaras de 360 graus. Curiosamente, a condução do tanque é feita através de um volante estilo "yoke" repleto de botões. Segundo os responsáveis, estes botões podem ser mapeados tal como num comando de PlayStation, ajustando-se aos diferentes acessórios que estejam montados no veículo.
Apesar das demonstrações, é importante ressalvar que, conforme detalhado no vídeo do canal The Fast Lane Truck, o M1E3 ainda se encontra em fase de protótipo. O Exército ainda está a avaliar qual a melhor química para as baterias de alta voltagem, ponderando entre as convencionais de iões de lítio e as de fosfato de ferro-lítio (LFP). O processo de certificação do veículo deverá ter início ainda durante este mês.










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