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O desaparecimento súbito do Bato.to, um dos maiores centros de pirataria de manga e manhwa, deixou milhões de fãs desorientados esta semana. O que inicialmente parecia ser uma série de problemas técnicos revelou-se, afinal, uma operação calculada e agressiva liderada pela gigante do entretenimento sul-coreana Kakao Entertainment. A empresa confirmou estar por trás da ação de encerramento, visando não apenas os operadores do site, mas também moderadores de comunidades no Reddit e Discord.

Durante anos, o Bato.to foi uma referência para leitores de banda desenhada asiática, mantendo uma base de utilizadores massiva através do site principal e de vários "espelhos" (mirrors). No entanto, a estabilidade da plataforma começou a tremer em novembro passado, quando moderadores relataram que o operador do site, conhecido como "Larry", tinha deixado de estar contactável, resultando numa degradação progressiva do serviço.

A caça aos operadores e moderadores

A situação agravou-se drasticamente no início desta semana. O servidor oficial do Discord, gerido pela equipa de moderação da comunidade, anunciou o seu encerramento, citando desafios legais. Pouco depois, o subreddit oficial da plataforma seguiu o mesmo caminho, cortando oficialmente todos os laços com o site e com a pirataria.

Os moderadores do Reddit explicaram que, devido a desenvolvimentos legais recentes, todas as atividades relacionadas com o antigo site tinham terminado permanentemente. A referência à necessidade de apoio jurídico indicava claramente que a pressão não era apenas técnica, mas sim judicial.

A confirmação oficial da origem desta pressão surgiu hoje. A P.CoK, o braço dedicado ao combate à pirataria da Kakao Entertainment, confirmou ao TorrentFreak que está a liderar a ofensiva. O grupo revelou ter identificado o fundador e principal programador do Bato.to, tendo-o localizado no seu país de residência, onde já decorrem processos judiciais ativos.

Novos alvos na mira

A estratégia da Kakao Entertainment não se limitou ao topo da pirâmide. A empresa adotou uma abordagem multifacetada, categorizando os envolvidos em vários níveis. Além de processar o operador principal, a P.CoK enviou cartas de "Cease and Desist" (cessação e desistência) a administradores, sub-programadores e moderadores das comunidades, instando-os a encerrar as operações ou a enfrentar consequências legais.

Esta ação abrangente explica o encerramento súbito das comunidades de fãs e a mudança de postura em canais recém-criados, que agora proíbem estritamente conteúdos ilegais.

O trabalho da equipa antipirataria parece estar longe de terminar. A P.CoK já identificou novos alvos, nomeadamente o MangaPark e o AniXL, sites que têm sido associados à infraestrutura ou equipa do Bato.to. O grupo antipirataria afirmou estar a preparar ações legais fortes contra estas plataformas, bem como contra quaisquer novos sites "inspirados" no Bato.to que tenham surgido recentemente, demonstrando uma tolerância zero para com a infração dos seus direitos de autor.

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