
Os clientes empresariais continuam a ser um dos principais motores da mobilidade moderna e, contrariando algumas previsões mais pessimistas, o setor prepara-se para crescer. Um novo estudo da Dataforce revela que mais de um terço das grandes frotas de automóveis na Alemanha tencionam expandir-se durante o ano de 2026, embora a transição para os elétricos continue a ser citada como o maior desafio logístico e financeiro.
A análise, focada em frotas corporativas com mais de 100 veículos, indica que a maioria dos gestores planeia manter ou aumentar o número de carros disponíveis. Especificamente, 35% dos inquiridos preveem um crescimento explícito da frota, impulsionado pelo crescimento das próprias empresas e pela necessidade de reter talento num mercado de trabalho competitivo. O carro da empresa continua a ser visto como uma ferramenta essencial de recrutamento, e não apenas um meio de transporte.
O pesadelo da infraestrutura elétrica
Apesar da vontade de crescer, a eletrificação apresenta-se como uma barreira significativa. Embora a meta de muitos gestores seja ter uma frota 100% elétrica até 2030, o caminho até lá está cheio de obstáculos práticos. Segundo o relatório, 69% dos gestores identificam a eletrificação como a sua maior dor de cabeça. O problema não reside nos veículos em si, mas sim na infraestrutura de carregamento insuficiente e na complexidade de organizar os carregamentos nas casas dos colaboradores.
As questões burocráticas, como o reembolso da eletricidade doméstica — que na Alemanha requer uma contagem precisa por quilowatt-hora em vez de taxas fixas — complicam a gestão diária. A isto somam-se as incertezas clássicas sobre a autonomia da bateria e a ansiedade dos condutores habituados aos motores de combustão.
Custos a subir e a falta de digitalização
O segundo maior obstáculo, citado por 49% dos inquiridos, é o custo de aquisição. O aumento dos preços dos veículos e das taxas de leasing torna a renovação da frota mais difícil, uma realidade transversal a toda a Europa e que afeta até os grandes clientes com descontos de volume. No entanto, existe uma esperança de que a introdução de modelos elétricos mais acessíveis possa aliviar esta pressão num futuro próximo.
Curiosamente, a tecnologia — ou a falta dela — é o terceiro ponto de atrito. Quase metade dos gestores (47%) queixa-se da fraca digitalização nos processos. A dependência de PDFs editáveis, impressões e assinaturas manuais para reportar danos ou gerir contratos é vista como um atraso significativo. Os gestores pedem soluções mais integradas, como aplicações dedicadas para os condutores, que eliminem as falhas de comunicação e agilizem o apoio técnico, algo considerado crucial para manter relações comerciais a longo prazo.












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