
Jensen Huang, CEO da Nvidia, antecipou o mercado por largos anos quando, em 2010, incentivou a empresa a desenvolver chips específicos para inteligência artificial, muito antes do atual entusiasmo em torno da tecnologia. Uma década depois, uma estratégia semelhante focada nas infraestruturas de centros de dados está a dar frutos. De acordo com o TechCrunch, a divisão de redes da empresa tornou-se rapidamente numa das áreas mais lucrativas e de maior crescimento, operando quase nos bastidores.
Em poucos anos, este segmento desenhado para interligar centros de dados assumiu a posição de segunda maior fonte de receitas da marca, apenas atrás da divisão de processamento puro. Segundo o relatório financeiro oficial, o departamento gerou 11 mil milhões de dólares em receitas no último trimestre, o que representa um aumento de 267% face ao ano anterior, culminando num valor superior a 31 mil milhões de dólares no ano completo.
A visão estratégica com a aquisição da Mellanox
O sucesso atual tem raízes em 2020, quando a fabricante comprou a empresa israelita Mellanox por sete mil milhões de dólares. Kevin Cook, estratega sénior de ações na Zacks Investment Research, destaca que a unidade de redes da Nvidia atinge num só trimestre o que concorrentes como a Cisco demoram um ano a conseguir. Cook acrescenta que a compra da Mellanox foi a peça que faltava para transformar as unidades de processamento gráfico num pacote completo.
Apesar desta escala maciça, o negócio de infraestruturas não recebe a mesma atenção mediática que a divisão principal ou mesmo que a área original de videojogos, que é agora quase três vezes mais pequena. Kevin Deierling, vice-presidente sénior de redes da empresa, que integrou a equipa precisamente através da aquisição da Mellanox, refere que as pessoas tendem a ver as redes como uma simples ligação a uma impressora. No entanto, cita Huang para sublinhar que o centro de dados é a nova unidade de computação, servindo como uma verdadeira base de sustentação.
O motor invisível das fábricas de inteligência artificial
Impulsionada pelo crescimento do processamento de IA, a divisão engloba tecnologias essenciais como o NVLink, que garante a comunicação entre placas gráficas, os interruptores InfiniBand, e a plataforma de ethernet para redes de inteligência artificial, conforme detalhado na página oficial do Spectrum-X. Em conjunto, estas soluções fornecem toda a base necessária para construir uma verdadeira fábrica concebida para treinar modelos complexos.
Deierling sublinha que a verdadeira vantagem da Nvidia reside na capacidade de vender uma solução completa. A empresa constrói toda a base de computação integrada, que é depois comercializada através da sua rede de parceiros, algo que considera único no mercado atual.
Novidades reveladas na conferência GTC
A marca aproveitou a sua conferência anual de tecnologia, a GTC, para anunciar um novo conjunto de atualizações a 16 de março. Durante a apresentação de Huang, foi revelada a plataforma Rubin, que incorpora seis novos semicondutores para alimentar um supercomputador de inteligência artificial.
Além disso, a empresa lançou uma nova plataforma de armazenamento de contexto de inferência e versões mais eficientes dos seus equipamentos baseados em fotónica Ethernet. Como conclui Deierling, a rede deixou de ser um mero periférico secundário para passar a ser a espinha dorsal vital da estrutura informática moderna.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!