
Após um período conturbado marcado por dificuldades nas suas linhas de produção de semicondutores, a Samsung Foundry parece ter encontrado finalmente o caminho da recuperação. A gigante sul-coreana está a dar sinais de vitalidade com o seu novo processo de fabrico de 2nm Gate-All-Around (GAA), tendo alcançado uma taxa de rendimento (yield) na ordem dos 50%. Este marco técnico é fundamental para a viabilidade comercial da tecnologia e abre portas a uma nova era de competitividade no mercado global de chips.
Com a estabilização do processo de fabrico, a Samsung traçou objetivos ambiciosos para o futuro próximo. A empresa projeta um crescimento impressionante de 130% nas encomendas baseadas nesta nova litografia, sinalizando ao mercado que está pronta para enfrentar a concorrência direta e recuperar a confiança dos grandes parceiros tecnológicos.
À conquista de novos clientes e a batalha com a TSMC
A estratégia da empresa passa por uma postura agressiva para desafiar a hegemonia da TSMC, a atual líder indiscutível no fabrico de semicondutores avançados. Segundo informações avançadas pelo Android Headlines, a sul-coreana está a mobilizar-se para garantir novas encomendas para a sua tecnologia de próxima geração, capitalizando sobre os recentes sucessos técnicos.
Um dos trunfos já confirmados é o contrato de peso assinado com a Tesla, avaliado em 16,5 mil milhões de dólares, que valida a capacidade da Samsung em servir clientes de grande dimensão. No entanto, a mira está agora apontada a outros gigantes, com a Qualcomm no centro das atenções. Embora seja esperado que a dona da linha Snapdragon continue a priorizar a TSMC para os seus processadores de topo, como os futuros Snapdragon 8 Elite Gen 6 e Gen 6 Pro, a Samsung posiciona-se como uma alternativa robusta para diversificar a cadeia de abastecimento. Além disso, outros fabricantes de chips para dispositivos Android estão a considerar a empresa sul-coreana como uma opção viável para reduzir a dependência de um único fornecedor.
A aposta americana no Texas
Outra peça fundamental neste xadrez é a infraestrutura da empresa em solo americano. A fábrica em Taylor, no estado do Texas, que foi inicialmente projetada para a produção de chips de 4nm, está a ser reorientada para focar na tecnologia de 2nm GAA. Os testes com os equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV) estão agendados já para março deste ano.
Esta presença física nos Estados Unidos é uma jogada estratégica de mestre. Permite à Samsung fabricar componentes essenciais para empresas locais dentro das fronteiras americanas, alinhando-se com as políticas de incentivo à produção doméstica promovidas pelo governo Trump. Esta localização não só facilita a logística para os clientes norte-americanos, como coloca uma pressão adicional sobre a concorrente taiwanesa, num momento em que a geopolítica desempenha um papel cada vez mais central na indústria dos semicondutores.










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