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Tesla no gelo

É um dos mitos mais persistentes sobre a mobilidade elétrica: os veículos a baterias não conseguem lidar com temperaturas extremas. A realidade, contudo, é que os veículos elétricos modernos possuem sistemas de gestão térmica avançados que, em muitos casos, oferecem vantagens sobre os motores a combustão, nomeadamente a capacidade de aquecer o habitáculo sem ligar o motor. Mas o que acontece quando um condutor decide ignorar todas as recomendações e levar o seu carro ao limite num cenário de gelo absoluto?

Foi exatamente isso que o canal do YouTuber FrozenTesla decidiu descobrir. O proprietário de um Tesla Model 3 Long Range (versão 2024) estacionou o veículo no exterior durante a noite, desligado da corrente, enfrentando temperaturas ambiente que chegaram aos -36ºC. Para tornar o teste ainda mais rigoroso, o utilizador não ativou o pré-aquecimento através da aplicação móvel, deixando o carro "congelar" durante 10 horas.

O impacto brutal na eficiência energética

Ao acordar, o veículo tinha perdido apenas 3% da sua carga durante a noite, o que demonstra uma boa retenção de energia em repouso, mesmo sob frio extremo. Ao iniciar a marcha, a temperatura da bateria de alta voltagem registava uns gélidos -20ºC. O carro arrancou sem problemas, embora com um ruído temporário vindo da zona do carregador sem fios, provocado pelo frio intenso.

O condutor dirigiu-se a um posto de carregamento rápido situado a cerca de 35 quilómetros de distância. No entanto, cometeu propositadamente outro "erro": não selecionou o carregador no sistema de navegação. Isto impediu que o carro iniciasse o pré-condicionamento da bateria para o carregamento. O resultado foi uma eficiência desastrosa durante o trajeto. O sistema gastou uma quantidade enorme de energia para aquecer o habitáculo e os componentes internos, resultando num consumo médio que reduziria a autonomia real do veículo para menos de 193 quilómetros.

Carregamento lento e a lição do regresso

A viagem de 30 minutos serviu para elevar a temperatura da bateria de -20ºC para 3ºC, mas isso não foi suficiente para garantir um carregamento rápido eficiente. Ao ligar o carro ao Supercharger, o processo foi penosamente lento. O sistema estimou 55 minutos para carregar de 25% a 75%, uma vez que a bateria ainda estava demasiado fria para aceitar potências elevadas. Os primeiros 15 minutos foram dedicados quase exclusivamente ao aquecimento das células e a potência de carregamento nunca atingiu os 100 kW.

 

A prova de que a gestão térmica é o segredo para a eficiência nos elétricos chegou na viagem de regresso. Com o carro e a bateria já à temperatura ideal, o consumo de energia caiu para metade no mesmo percurso. O teste comprova que, embora os elétricos funcionem em frio extremo, o planeamento e o uso do pré-aquecimento (enquanto o carro ainda está ligado à corrente em casa) são essenciais para manter a autonomia e garantir carregamentos rápidos. Sem isso, a física impõe as suas regras e a eficiência sofre as consequências.




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