
A fragmentação do ecossistema móvel da Google sempre foi o seu "calcanhar de Aquiles", especialmente quando comparada com a longevidade do suporte da Apple. Embora a situação tenha melhorado ligeiramente nos últimos anos com promessas de atualizações mais longas por parte de marcas como a Samsung, a realidade para a vasta maioria dos utilizadores continua a ser preocupante. Dados recentes revelam uma estatística alarmante: cerca de mil milhões de dispositivos estão atualmente obsoletos e vulneráveis.
Segundo as informações avançadas pela Forbes, que cita declarações de Eugene Liderman, diretor de estratégia de segurança do Android na Google, estima-se que 40% de todos os dispositivos ativos com este sistema operativo já não recebem atualizações de segurança vitais. Tendo em conta que a base instalada global ultrapassa os 2,5 mil milhões de unidades, estamos perante um cenário onde mil milhões de telemóveis são alvos fáceis para cibercriminosos.
O fim do suporte é a porta de entrada para hackers
O problema central reside no ciclo de vida limitado que a maioria dos fabricantes ofereceu na última década. Durante muito tempo, a norma da indústria foi garantir suporte apenas por dois ou três anos. Quando esse período termina, o smartphone entra numa "zona cinzenta": continua a funcionar para chamadas e apps básicas, mas as suas defesas deixam de ser renovadas.
Esta obsolescência de segurança cria o que os especialistas chamam de "vulnerabilidade de patch". Assim que uma nova falha é descoberta e corrigida pela Google nas versões mais recentes do sistema, ela torna-se um mapa para os hackers atacarem os dispositivos mais antigos que nunca receberão essa correção.

Para o utilizador comum, os riscos são tangíveis e graves. Não se trata apenas de uma questão técnica; a falta de patches expõe dados bancários, palavras-passe, fotografias pessoais e conversas privadas. Além disso, estes dispositivos tornam-se vetores ideais para ataques de ransomware, onde o acesso ao telemóvel é bloqueado até que um resgate seja pago, ou para serem integrados em botnets para atividades ilícitas sem o conhecimento do proprietário.
A "cura" da Google não chega para a doença do hardware
A gigante tecnológica não tem estado parada e implementou medidas como o Project Mainline, que permite atualizar componentes específicos do sistema diretamente através da Play Store, sem depender da boa vontade dos fabricantes de hardware. No entanto, esta solução é apenas um penso rápido numa ferida profunda.
Apesar de ajudar a mitigar alguns riscos, as atualizações via loja de aplicações não conseguem resolver vulnerabilidades críticas ao nível do hardware ou do kernel do sistema operativo. Quando a falha reside na raiz do funcionamento do processador ou da memória, apenas uma atualização de firmware completa pode resolver o problema, e é exatamente isso que falta nestes modelos mais antigos.
A recomendação oficial acaba por ser dura, mas necessária: se o teu Android já não recebe suporte oficial do fabricante, a única forma garantida de te protegeres é adquirir um equipamento mais recente. Com as ameaças digitais a tornarem-se cada vez mais sofisticadas em 2026, manter um dispositivo desatualizado no bolso é um risco que pode sair muito caro.










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