
A transição para a mobilidade elétrica na Europa acaba de sofrer um revés significativo. A Automotive Cells Company (ACC), a conhecida joint-venture que reúne gigantes como a Stellantis, a Mercedes-Benz e a TotalEnergies, confirmou o abandono definitivo dos planos para a construção de novas unidades de produção em Itália e na Alemanha. A decisão reflete o arrefecimento da procura no mercado de veículos elétricos e os desafios financeiros que as fabricantes enfrentam atualmente.
O fim de um plano ambicioso
A confirmação do cancelamento chegou através do sindicato italiano de metalúrgicos UILM, após uma reunião com a direção da empresa. O plano original, traçado em 2020, previa a criação de três grandes linhas de produção na Europa — França, Itália e Alemanha — cada uma com capacidade para 8 GWh anuais. No entanto, apenas a fábrica francesa permanecerá ativa nos moldes previstos.
Os projetos para as gigafábricas de Termoli (Itália) e Kaiserslautern (Alemanha) já se encontravam suspensos desde maio de 2024. Na altura, a pausa foi justificada com a necessidade de rever o plano de negócios face à estagnação na venda de carros elétricos e aos elevados custos de fabrico das baterias. Agora, a ACC admite que é "improvável" reunir os pré-requisitos necessários para retomar estas construções, optando por analisar cenários alternativos para o futuro destas localizações.
Stellantis ajusta contas com a realidade
Para a Stellantis, o maior acionista desta parceria, esta decisão insere-se num contexto de profunda reestruturação financeira. O grupo automóvel anunciou recentemente imparidades no valor de 22 mil milhões de euros, grande parte das quais atribuídas diretamente aos custos e ajustes da transição para a mobilidade elétrica.
Deste montante colossal, cerca de 2,1 mil milhões de euros referem-se especificamente ao redimensionamento da cadeia de abastecimento, o que inclui o encerramento ou redução de projetos de baterias como estes. A estratégia da Stellantis passa agora por uma gestão mais cautelosa dos recursos, tendo já anunciado também a venda da sua participação de 49% na NextStar Energy à parceira LG Energy Solution, numa tentativa de equilibrar as contas num mercado cada vez mais volátil.










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