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datacenter na lua

A Microsoft está a explorar uma nova via para tornar as suas infraestruturas digitais mais eficientes, focando-se no desenvolvimento de centros de dados que utilizam materiais capazes de conduzir eletricidade com resistência zero. Estes novos componentes, conhecidos como supercondutores de alta temperatura (HTS), podem mudar radicalmente a forma como os centros de dados e as redes elétricas que os alimentam são construídos e geridos.

Eficiência e redução de impacto nas comunidades

Atualmente, as grandes empresas tecnológicas enfrentam críticas crescentes devido ao elevado consumo energético exigido pela inteligência artificial generativa. Além disso, a construção de novos centros de dados causa frequentemente transtornos aos residentes locais e sobrecarrega as redes elétricas existentes. Segundo Alistair Speirs, Diretor-Geral de Marketing de Infraestruturas Globais da empresa, a tecnologia HTS poderá fortalecer as redes elétricas e reduzir o impacto visual e físico destas instalações nas comunidades próximas.

Ao contrário dos tradicionais cabos de cobre, que perdem energia sob a forma de calor durante a transmissão, os cabos supercondutores permitem que a corrente elétrica flua sem qualquer resistência. Isto não só evita o desperdício de energia, como permite a criação de cabos muito mais leves e compactos. Embora já sejam utilizados em máquinas de ressonância magnética e em pequenos trechos de redes elétricas em cidades como Chicago ou Paris, o seu uso em larga escala tem sido limitado pelo custo e pela necessidade de arrefecimento extremo, geralmente recorrendo a azoto líquido.

O papel da fusão nuclear e o futuro da infraestrutura

O aumento da procura por IA e a investigação em fusão nuclear têm ajudado a impulsionar a produção dos materiais necessários para os cabos supercondutores, o que começa a baixar os custos de fabrico. Husam Alissa, diretor de tecnologia de sistemas na gigante tecnológica, explica que a empresa está interessada em utilizar esta tecnologia de duas formas principais.

Internamente, cabos mais pequenos oferecem maior flexibilidade na organização das salas elétricas e dos bastidores de hardware. Experiências realizadas pela VEIR, com financiamento da tecnológica, demonstraram que os cabos HTS podem entregar a mesma potência com uma redução de cerca de 10 vezes no peso e na dimensão em comparação com as alternativas convencionais.

Externamente, a Microsoft mostra-se aberta a colaborar com empresas de energia para criar linhas de transporte de longa distância. Estas linhas supercondutoras poderiam ocupar apenas 2 metros de largura, em contraste com os 70 metros necessários para as linhas aéreas tradicionais, acelerando os processos de licenciamento e construção. Conforme detalhado no artigo publicado pelo The Verge, esta evolução tecnológica poderá criar um ciclo virtuoso, onde o interesse dos centros de dados ajuda também a tornar a energia de fusão nuclear mais acessível e próxima da realidade.




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