
É o fim de uma linha histórica para a gigante japonesa. A Sony confirmou esta segunda-feira que irá enviar os últimos lotes dos seus gravadores de Blu-ray já em fevereiro, encerrando oficialmente a sua participação neste mercado específico de hardware. A decisão, embora esperada por muitos analistas, marca o fecho de um capítulo que a empresa iniciou em 2003, numa altura em que a gravação ótica era o padrão para o consumo de multimédia em casa.
Esta medida surge como uma "adequação natural" aos novos tempos, onde a conveniência da nuvem e das plataformas digitais tornou o ato de gravar programas de TV em discos físicos uma prática obsoleta para o consumidor comum. A produção dos gravadores e dos respetivos discos graváveis já tinha sido paralisada em fevereiro do ano passado, o que indica que a operação atual servia apenas para escoar os stocks residuais existentes.
A ascensão do streaming e a queda dos números
O principal "culpado" desta mudança de paradigma é o avanço imparável das plataformas de vídeo on-demand. Serviços como a Netflix e, no caso específico do mercado japonês, o TVer, alteraram radicalmente a forma como o público consome conteúdos, eliminando a necessidade de hardware dedicado à gravação nas salas de estar.
Os números apresentados pela Japan Electronics and Information Technology Industries Association ilustram um cenário de retração agressiva. Se em 2011 o mercado atingiu um pico de 6,39 milhões de unidades enviadas, as projeções para 2025 apontam para apenas 620.000 unidades. Estamos a falar de uma retenção de menos de 10% do mercado original, o que tornou a continuidade do fabrico insustentável para a marca.
Este movimento reflete também uma reestruturação mais ampla na divisão de hardware da empresa. Recentemente, a Sony anunciou a separação do seu negócio de entretenimento doméstico para formar uma joint venture com a TCL Electronics Holdings Ltd., pivotando a sua estratégia para o fornecimento de conteúdos, com um foco especial em animes e filmes.
Leitores e qualidade de imagem resistem
Apesar do fim dos gravadores, os entusiastas do cinema em casa e colecionadores podem respirar de alívio, pelo menos por enquanto. A empresa confirmou, segundo reportado pela Kyodo News, que continuará a fabricar leitores (players) de Blu-ray. A distinção é importante: enquanto a capacidade de gravar conteúdos em disco desaparece do portefólio da marca, a capacidade de reproduzir discos comerciais mantém-se.
Do ponto de vista puramente técnico, a sobrevivência dos leitores e da mídia física continua a ser vital para quem procura a máxima fidelidade audiovisual. Enquanto o melhor streaming em UHD (4K) opera atualmente a taxas de bits que rondam os 16 Mbps, o formato Blu-ray consegue entregar taxas de vídeo de até 100 Mbps. Esta diferença brutal na densidade de dados garante que, para já, o disco físico continua a ser o "padrão ouro" imbatível em termos de qualidade de imagem e som, mesmo que o mercado de massas tenha migrado para a conveniência do digital.
Além disso, o ecossistema para PCs (HTPC) permanece ativo, com marcas como a Asus, LG e Pioneer a manterem o fabrico de drives internos e externos, assegurando que o formato não desaparece totalmente do mapa tecnológico.










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