
A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, está a atravessar uma semana turbulenta marcada por uma vaga de saídas de alto perfil. Dois cofundadores abandonaram o barco esta semana, elevando para seis o número total de membros da equipa original de 12 que já não fazem parte da empresa.
Numa reunião geral realizada na terça-feira, Elon Musk abordou o tema, sugerindo que estas saídas não se devem à performance individual, mas sim a uma questão de adaptação à nova escala da empresa. "Como atingimos uma certa dimensão, estamos a organizar a empresa para ser mais eficaz a esta escala", afirmou o empresário, segundo o The New York Times. "Quando isto acontece, há pessoas que são mais adequadas para as fases iniciais de uma empresa e menos para as fases posteriores".
"Crescer dói": A justificação de Musk
Na sua rede social X, Musk foi mais longe e clarificou que estas partidas não foram voluntárias. O magnata explicou que a xAI foi reorganizada há poucos dias para "melhorar a velocidade de execução". Comparando a empresa a um "organismo vivo", Musk justificou que a estrutura deve evoluir, o que "infelizmente exigiu a separação de algumas pessoas".
Apesar das saídas, a empresa continua a contratar agressivamente. Num estilo tipicamente excêntrico, Musk encerrou o seu apelo ao recrutamento com uma frase que já está a dar que falar: "Junta-te à xAI se a ideia de teres 'mass drivers' [lançadores de massa] na Lua te atrai".
Perder metade da equipa fundadora num curto espaço de tempo levanta sobrancelhas na indústria, e os comentários de Musk parecem uma tentativa de controlar a narrativa, reescrevendo o êxodo como uma "limpeza necessária" em vez de um sinal de instabilidade interna.
A debandada dos fundadores
No total, pelo menos nove engenheiros, incluindo os dois cofundadores, anunciaram publicamente a sua saída da xAI na última semana, embora algumas destas rescisões tenham ocorrido semanas antes.
Entre os que saem estão nomes de peso como Yuhuai (Tony) Wu, líder de raciocínio da xAI, que afirmou nas redes sociais ser "tempo para o meu próximo capítulo", sugerindo que pequenas equipas armadas com IA podem agora "mover montanhas". Outros, como Vahid Kazemi, foram mais diretos nas críticas ao estado atual do setor: "Na minha opinião, todos os laboratórios de IA estão a construir exatamente a mesma coisa, e é aborrecido... Por isso, vou começar algo novo".
Segundo as informações disponíveis, pelo menos três dos funcionários que estão de saída planeiam lançar um novo empreendimento em conjunto, procurando maior autonomia e equipas mais pequenas para desenvolver tecnologia de ponta mais rapidamente, conforme reportado pelo TechCrunch.
Polémicas e o futuro com a SpaceX
Este êxodo acontece num momento crucial e controverso para a xAI. A empresa enfrenta escrutínio regulatório após o seu modelo Grok ter gerado deepfakes explícitos não consensuais, o que levou as autoridades francesas a realizarem buscas nos escritórios da X na semana passada.
Além disso, a estrutura da xAI mudou radicalmente: a empresa foi legalmente adquirida pela SpaceX na semana passada e avança agora para uma Oferta Pública Inicial (IPO) planeada para o final deste ano.
Apesar de manter mais de 1.000 funcionários, o que garante a continuidade das operações a curto prazo, a capacidade da xAI de reter talento de topo será testada à medida que a competição com rivais como a Google, a Anthropic e a OpenAI aquece. Numa indústria onde o capital humano é o recurso mais escasso, perder os visionários que ajudaram a fundar o projeto pode ser um preço alto a pagar pela "velocidade de execução".










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