
Num movimento raro de transparência corporativa, a xAI decidiu publicar integralmente um vídeo de 45 minutos de uma reunião interna ("all-hands"), confirmando rumores de reestruturação e revelando planos que roçam a ficção científica. A decisão surge após reportagens que antecipavam os detalhes do encontro, levando a empresa a partilhar oficialmente a sua visão, que inclui desde novos modelos de negócio até infraestruturas espaciais.
Reestruturação e o projeto "Macrohard"
O vídeo confirma uma nova fase para a empresa de inteligência artificial, marcada pela saída de vários colaboradores, incluindo membros da equipa fundadora. Musk descreveu estes movimentos como despedimentos necessários devido a uma mudança na estrutura organizacional da xAI. "À medida que uma empresa cresce, especialmente tão rápido como a xAI, a estrutura deve evoluir", afirmou o empresário.
A nova organização divide a empresa em quatro equipas principais: uma focada no chatbot Grok, outra no desenvolvimento de aplicações e código, uma dedicada ao gerador de vídeo Imagine e, talvez a mais curiosa, a equipa "Macrohard". Liderado por Toby Pohlen, este projeto tem um objetivo ambicioso: simular qualquer ação que um computador possa realizar e modelar empresas inteiras. "Deverão haver motores de foguetão totalmente desenhados por IA", explicou Pohlen aos colegas.
Receitas recorde e a sombra dos deepfakes
Durante a apresentação, Nikita Bier, chefe de produto da X, revelou que a plataforma ultrapassou a barreira dos mil milhões de dólares (cerca de 950 milhões de euros) em receitas recorrentes anuais de subscrições, impulsionadas por uma campanha de marketing recente.
Os números de utilização das ferramentas de IA também impressionam: a ferramenta Imagine está a gerar 50 milhões de vídeos por dia e criou mais de 6 mil milhões de imagens nos últimos 30 dias. No entanto, estes dados surgem num contexto complexo. O crescimento do envolvimento na plataforma coincidiu com um fluxo massivo de pornografia deepfake, com estimativas a apontarem para a geração de 1,8 milhões de imagens explícitas em apenas nove dias, o que sugere que uma parte substancial destes números recorde pode estar ligada a conteúdo controverso.
O plano final: Data centers no espaço
A parte mais surpreendente da apresentação ficou guardada para o fim. Elon Musk reforçou a sua intenção de criar data centers baseados no espaço, superando os desafios técnicos que tal implica. A visão inclui uma fábrica na Lua para produzir satélites de IA e um "driver de massa lunar" — essencialmente uma catapulta eletromagnética — para os lançar.
O objetivo final seria criar um cluster de computação capaz de capturar partes significativas da energia do Sol ou até expandir-se para outras galáxias. "É difícil imaginar o que uma inteligência dessa escala pensaria", admitiu Musk no vídeo publicado na X, "mas vai ser incrivelmente emocionante ver isso acontecer".










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