
O governo indiano estabeleceu uma parceria estratégica com a gigante tecnológica chinesa Alibaba, com o objetivo de ajudar pequenas empresas e startups locais a encontrarem compradores a nível internacional. Esta decisão marca uma rara aproximação entre Nova Deli e as plataformas ligadas à China, anos após a Índia ter aplicado bloqueios severos a aplicações de consumo do país vizinho, conforme detalhado na publicação oficial da Startup India.
Uma exceção com foco na economia local
Através da iniciativa governamental Startup India, o programa agora anunciado vai identificar e apoiar empresas emergentes que consigam integrar e expandir a presença de exportadores indianos na plataforma global direcionada ao mercado empresarial da Alibaba. O plano inclui comissões e suporte técnico para facilitar o acesso de pequenos fabricantes e comerciantes a novos mercados além-fronteiras.
As pequenas e médias empresas representam uma fatia crucial da economia da Índia, sendo responsáveis por quase metade de todas as exportações do país e cerca de 31% do Produto Interno Bruto, segundo dados do governo. Este peso económico justifica a necessidade de expandir o acesso destas marcas aos canais digitais globais. Rocky Lu, responsável pelos negócios da Alibaba na Índia, salienta que a plataforma liga mais de 50 milhões de compradores ativos em mais de 200 países e regiões, reforçando o compromisso de duas décadas da empresa em capacitar os negócios locais para o palco mundial através da transformação digital.
A estratégia do duplo padrão tecnológico
Esta colaboração surge num clima de relações historicamente tensas entre as duas nações asiáticas. Recorde-se que, em 2020, a Índia proibiu dezenas de aplicações chinesas após confrontos fronteiriços, uma lista que incluiu nomes de peso como o TikTok, o PUBG Mobile e até o AliExpress, que pertence ao próprio grupo Alibaba. Como estas restrições continuam ativas para o consumidor final, a atual aliança governamental representa um envolvimento económico cuidadosamente delineado e não uma mudança geral de política.
De acordo com especialistas da área de política pública, como George Chen, da The Asia Group, a Índia parece estar a adotar uma estratégia semelhante à da própria China. Tal como o governo chinês bloqueia plataformas estrangeiras para os seus cidadãos, mas permite que empresas utilizem ferramentas da Google ou do Facebook para exportar produtos para o estrangeiro, a Índia está a separar as aplicações de consumo das infraestruturas viradas para a exportação e benefício económico claro.
Esta parceria reflete os passos mais recentes da Alibaba no país, após o lançamento do seu programa de proteção comercial em junho de 2025, focado em ajudar pequenas empresas a gerir riscos em transações internacionais. Estes desenvolvimentos acontecem também numa altura em que representantes chineses são esperados na cimeira India AI Impact Summit em Nova Deli, sugerindo um ligeiro e cauteloso reatar de contactos nos fóruns tecnológicos multilaterais.










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