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Imagem de um carro azul com luzes em frente a uma porta.

A Lamborghini, conhecida pelo drama e pela sonoridade inconfundível dos seus motores de combustão, decidiu travar a fundo na sua estratégia de eletrificação total. Embora a marca italiana tenha surpreendido o mercado ao apresentar um protótipo puramente elétrico com planos de produção, a verdade é que o cenário mudou. Com o adiamento da proibição dos motores a combustão na Europa para 2035, a fabricante não está disposta a investir numa tecnologia sem ter a certeza de que haverá clientes interessados.

Investimento em elétricos considerado irresponsabilidade financeira

O CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, foi direto nas suas declarações ao The Sunday Times. Segundo o responsável, seria "financeiramente irresponsável" para a empresa investir fortemente no desenvolvimento de um veículo elétrico quando o interesse por este tipo de modelo é, atualmente, "quase nulo".

O modelo em causa seria a versão de produção do Lanzador, um protótipo revelado em agosto de 2023 no Pebble Beach Concours d’Elegance. Este crossover de luxo, com uma configuração 2+2, deveria contar com um motor elétrico em cada eixo para debitar uma potência combinada superior a 1000 kW, o equivalente a cerca de 1360 cv.

O plano original passava por lançar o Lanzador entre 2028 e 2029 como um elétrico puro. No entanto, o projeto não foi totalmente descartado, podendo agora chegar ao mercado equipado com uma motorização híbrida plug-in. Esta parece ser a solução de sobrevivência para as marcas de alta performance, que até 2035 precisam de reduzir as suas emissões de CO2 em 90% face aos valores de 2021.

Estratégias opostas entre os gigantes do luxo

Enquanto a Lamborghini recua, outros nomes do setor mantêm o pé no acelerador. A Ferrari, por exemplo, continua fiel aos seus planos e prepara-se para revelar ainda este ano o Luce, o seu primeiro modelo movido exclusivamente a baterias. Trata-se de uma decisão controversa para uma marca tão ligada ao som dos motores, mas a casa de Maranello parece convencida de que existe mercado para este tipo de proposta.

Noutros cantos do grupo Volkswagen, a Porsche e a Bentley também seguem caminhos distintos. A Bentley prepara um SUV urbano elétrico baseado na plataforma PPE, a mesma que será usada pelo futuro Cayenne elétrico. Curiosamente, circulam rumores de que a Porsche poderá cancelar o seu programa de desportivos elétricos, embora a Audi tenha confirmado recentemente que o seu projeto de um desportivo a baterias continua dentro dos prazos previstos.

Por agora, a Lamborghini prefere apostar no que já conhece. A marca já comercializa o Urus SE, uma variante híbrida plug-in com 789 cv e uma autonomia elétrica de aproximadamente 60 km. Para Winkelmann, o mercado de elétricos de luxo ainda corre o risco de ser apenas um "passatempo dispendioso", restando saber quem terá razão quando estes novos modelos chegarem às estradas.

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