
Os dados relativos a 2024 mostram que o ordenado médio na União Europeia atingiu os 39.800 euros brutos anuais, o que representa uma subida de 5,2% em comparação com o ano anterior. No entanto, estes números escondem uma clivagem acentuada entre os diversos Estados-membros, com o Luxemburgo a aproximar-se dos 83.000 euros anuais, enquanto na Bulgária o valor mal ultrapassa os 15.000 euros. Esta diferença abismal, superior a 67.500 euros, coloca em evidência as diferentes realidades económicas vividas no espaço europeu, apesar da partilha do mercado único e da moeda comum.
As informações constam de um levantamento estatístico da Visual Capitalist, que utilizou dados atualizados do Eurostat e da OCDE para ilustrar a situação salarial no continente.
Metodologia e o conceito de salário médio ajustado
Para compreender estes valores, é necessário olhar para o indicador utilizado pelas entidades estatísticas: o salário médio ajustado a tempo completo por empregado. Este cálculo não reflete exatamente o valor que a maioria dos trabalhadores encontra no seu recibo de vencimento mensal, funcionando antes como uma média ponderada. O processo soma todas as remunerações pagas num determinado país e divide o resultado pelo número de empregados equivalentes a tempo inteiro.
Na prática, isto significa que as horas de quem trabalha em regime de tempo parcial são convertidas para o equivalente a um horário completo antes de se calcular a média final. Por este motivo, os valores apresentados tendem a ser mais elevados do que o ordenado mais comum em cada país. Trata-se de uma métrica útil para comparar o poder económico entre nações, mas deve ser interpretada como uma ferramenta de análise estatística e não como um espelho fiel da remuneração individual média.
Os líderes do ranking e a fratura entre leste e oeste
O Luxemburgo continua a ser o líder incontestável na Europa, apresentando salários anuais que rondam os 83.000 euros. Este desempenho é justificado pela forte especialização do país em serviços financeiros e no setor de tecnologia. No topo da tabela surgem ainda a Islândia, com rendimentos acima dos 77.000 euros, e a Suíça, que ocupa a terceira posição com 75.100 euros anuais. Países como a Dinamarca e a Noruega também mantêm valores elevados, beneficiando de modelos de negociação coletiva robustos.
No extremo oposto, a Bulgária fecha a lista com uma média de 15.387 euros por ano, acompanhada de perto pela Grécia e pela Hungria. A Polónia, apesar de ser uma das maiores economias da região leste, fixa-se nos 21.246 euros anuais. Estas disparidades são, em grande parte, resultado de heranças históricas e geopolíticas que afetaram o investimento e a produtividade nestas regiões durante décadas.
Portugal mantém-se abaixo da média europeia
No cenário europeu, Portugal ocupa a 22.ª posição, situando-se abaixo da média da União Europeia. Em 2024, o salário médio ajustado no país fixou-se nos 24.800 euros brutos anuais. Embora este valor represente um crescimento de 7% face aos 23.184 euros registados em 2023, Portugal continua a estar 15.100 euros abaixo da média comunitária.
A comparação com os vizinhos do sul também revela um percurso a percorrer, uma vez que o valor português é inferior aos cerca de 33.700 euros pagos em Espanha e aos 33.523 euros em Itália. Apesar de o aumento sucessivo do salário mínimo nacional ter ajudado a elevar os rendimentos mais baixos, a produtividade e as diferenças estruturais da economia portuguesa mantêm o país numa posição intermédia baixa, enquanto o ritmo de crescimento médio europeu continua a avançar de forma sólida.












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