
A inteligência artificial está cada vez mais acessível, mas os custos ocultos de uma falha de segurança podem ser devastadores. Um pequeno grupo de programadores mexicanos descobriu isso da pior forma, ao ver a sua conta da Google Cloud disparar de cerca de 165 euros (180 dólares) mensais para mais de 76 mil euros (82.314 dólares) num espaço de apenas 48 horas.
O incidente ocorreu nos dias 11 e 12 de fevereiro, quando a chave da interface de programação da equipa foi comprometida. Com o acesso indevido, terceiros utilizaram de forma massiva os serviços do Gemini, a inteligência artificial da Google que tem vindo a ganhar terreno face a alternativas como o ChatGPT. O resultado foi um consumo que ultrapassou em 457 vezes o valor habitual previsto no orçamento da pequena empresa.
O peso da responsabilidade partilhada
Apesar da situação dramática e das dificuldades económicas da equipa, as tentativas de negociar a dívida não tiveram sucesso. A Google recusou qualquer tipo de compensação ou anulação do valor, justificando a decisão com o seu modelo de responsabilidade partilhada. Segundo este acordo, assinado no momento da subscrição, os clientes assumem a total responsabilidade pelo uso das suas credenciais, mesmo em cenários de roubo ou acesso indevido.
A tecnológica norte-americana tem investido fortemente na sua inteligência artificial, lançando recentemente a versão 3.1 Pro, que promete ser 21% mais rápida do que a versão anterior e superar o modelo concorrente GPT-5.2. Com cerca de 700 milhões de utilizadores ativos mensais, a ferramenta tornou-se um alvo apetecível para atividades maliciosas em grande escala.
Falta de mecanismos de alerta
Os programadores garantem que não cometeram qualquer erro evidente nas suas práticas de segurança. Perante o avolumar da dívida, a equipa aponta o dedo aos fornecedores de serviços na nuvem, sugerindo que deveriam existir sistemas mais fiáveis para evitar estas situações. Uma das propostas passa pela implementação de bloqueios ou de alertas imediatos sempre que o consumo ultrapassa um determinado patamar de gastos.
Sem uma resolução favorável à vista e perante uma dívida gerada num par de dias, o futuro da pequena empresa permanece incerto, com a falência a ser o cenário mais provável, conforme os detalhes partilhados pelo TechSpot.












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