
A autoridade de proteção de dados do Reino Unido (ICO) vai notificar a Meta sobre sérias preocupações relacionadas com os seus óculos inteligentes. Relatos recentes indicam que trabalhadores subcontratados têm acesso a conteúdos sensíveis captados pelos equipamentos dos utilizadores.
Segundo a gigante das redes sociais, conhecida pelo seu histórico conturbado em termos de privacidade, o recurso a humanos para rever imagens e vídeos recolhidos pela inteligência artificial serve para melhorar a experiência do produto. No entanto, o tipo de conteúdo visualizado levanta enormes sinais de alarme.
O lado oculto da moderação de dados
Uma investigação conduzida pelos jornais suecos Svenska Dagbladet e Goteborgs-Posten revelou que trabalhadores em países com salários mais baixos, como o Quénia, têm acesso regular aos vídeos gravados. Algumas destas captações incluem momentos de extrema intimidade, como pessoas a utilizar a casa de banho ou a ter relações sexuais.
Para tentar mitigar os riscos, estes subcontratados assinam acordos de confidencialidade rigorosos antes de assumirem as funções. O ambiente de trabalho é estritamente controlado: existem câmaras de vigilância nos escritórios e é expressamente proibido levar telemóveis ou qualquer outro dispositivo de gravação. A ameaça de despedimento e de perda do sustento funciona como o principal dissuasor contra a fuga de informação visualizada através dos óculos.
O grande problema reside no facto de, muitas vezes, as pessoas nem se aperceberem de que os óculos estão a gravar. Quando dão conta, a informação já está nos servidores da empresa pronta a ser analisada. Os trabalhadores relatam já ter visto cartões bancários e utilizadores a consumir pornografia, conteúdos que poderiam destruir reputações caso chegassem a público.
Pedidos obscuros e falta de opções
Além das imagens, os anotadores de dados também lidam com as transcrições de áudio. A sua tarefa é verificar se o assistente inteligente do equipamento responde de forma correta às questões colocadas. Contudo, as perguntas estão longe de ser sempre inocentes. Os trabalhadores deparam-se com temas que envolvem crimes, protestos e assuntos bastante obscuros. Num dos casos relatados, uma transcrição mostrava um homem a descrever os atributos físicos de uma mulher com a qual desejava envolver-se.
Os jornalistas responsáveis por testar o equipamento confirmaram que não existe uma opção real para recusar a recolha de dados, caso o utilizador pretenda usufruir das funcionalidades do sistema inteligente. A única defesa da empresa passa por avisar os clientes para não partilharem informações sensíveis.
Face a estas descobertas, o regulador britânico fez saber que encara a situação com grande preocupação e exige que a criadora do Facebook e do Instagram seja totalmente transparente com os consumidores sobre a forma como a sua informação é recolhida e tratada.












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