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Mulheres a trabalhar

A propósito do Dia Internacional da Mulher, um novo estudo da ConsumerChoice traz a público a perspetiva da população sobre a igualdade de género em Portugal. Os dados revelados em março de 2026 mostram que, apesar de alguns avanços pontuais, a visão geral ainda é bastante crítica, apontando o dedo sobretudo às falhas contínuas no tecido empresarial.

Perceção divide-se na sociedade

De acordo com o levantamento, a avaliação sobre o equilíbrio de oportunidades no país pende para o negativo. Cerca de 41% dos inquiridos considera que o nível de igualdade é muito baixo, acompanhados por 33% que o classificam como sendo apenas médio. A minoria vê o panorama com maior otimismo, com 18% a apontarem para um nível elevado e 8% para uma taxa muito elevada.

Olhando para o espelho retrovisor dos últimos cinco anos, 63% dos participantes sente que o cenário estagnou. Para os 30% que notam efetivamente progressos, estes devem-se sobretudo a atualizações legislativas, à modernização da sociedade e a uma ligeira abertura no acesso a posições de chefia. Do lado oposto, 7% dos inquiridos considera mesmo que existiu um retrocesso na matéria.

O papel do mercado de trabalho

Curiosamente, a maior fatia da amostra (62%) afirma nunca ter experienciado ou testemunhado atos de desigualdade diretamente. No entanto, os 28% que já passaram por estas situações destacam o ambiente profissional como o principal palco destas assimetrias. As queixas focam-se, na sua grande maioria, nas diferenças salariais aplicadas a funções semelhantes, na barreira imposta para chegar a cargos de liderança e nos constantes obstáculos para conciliar a evolução na carreira com a gestão da vida familiar.

Este clima reflete-se na avaliação feita às organizações. Mais de metade da população inquirida (53%) discorda que as empresas a operar no território nacional estejam a adotar as práticas adequadas para promover a paridade. Apenas 19% concorda que estão a ser feitos os esforços necessários pelas chefias, enquanto os restantes 29% assumem uma posição neutra. A sensação geral é de que as políticas internas, mesmo quando existem no papel, acabam por falhar na sua aplicação prática do dia a dia.

Soluções para um futuro mais igualitário

A Diretora-Geral da ConsumerChoice, Nassrin Majid, sublinha que as conquistas das mulheres representam um avanço da própria sociedade, destacando que as pessoas dão cada vez mais valor a contextos onde o mérito e o talento têm o espaço principal de crescimento, de forma totalmente independente do género.

No que toca à visão geracional, os dados mostram-se divididos. Uma fatia de 40% não acredita que os mais jovens tenham uma perspetiva naturalmente mais igualitária sobre o papel de cada um na sociedade, um contraste face aos 30% que acreditam nessa mudança de mentalidade e aos 30% que se mantêm neutros.

Para acelerar este processo de forma prática, os inquiridos apontam caminhos muito concretos. A maior partilha e adoção das licenças parentais lidera as soluções exigidas (30%), como forma essencial de redistribuir as responsabilidades em casa. A esta medida estrutural junta-se a necessidade de reforçar a educação para a igualdade logo nos primeiros anos de escola (22%) e a exigência contínua de garantir e fiscalizar a paridade salarial (21%).

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