
As más notícias para o mercado tecnológico parecem não ter fim. Tal como a ADATA já tinha alertado, a Samsung planeia duplicar novamente os preços de fornecimento de memória DRAM durante o segundo trimestre de 2026. Considerando que a gigante sul-coreana já tinha aplicado um aumento semelhante no primeiro trimestre, a lógica do mercado dita que concorrentes como a SK Hynix e a Micron sigam exatamente o mesmo caminho.
Este cenário não afeta apenas a memória DRAM. Os preços da memória NAND Flash também vão registar um aumento significativo, o que significa que os discos SSD ficarão substancialmente mais caros de forma progressiva até ao final do ano.
O impacto direto no preço dos computadores e telemóveis
Esta subida brutal de custos vai atingir em cheio a indústria dos computadores de secretária, portáteis e telemóveis. Como todos estes equipamentos dependem de memória RAM e de armazenamento NAND, o impacto no preço final para o consumidor será notório. A ADATA já tinha justificado este cenário com a transição acelerada da indústria para o setor mais rentável da inteligência artificial, deixando menos capacidade de produção para a DRAM tradicional e forçando o aumento dos seus preços.
A consequência prática desta situação é preocupante para as carteiras: o custo mais elevado da memória poderá ditar um aumento na ordem dos 17% no preço final dos computadores ao longo de 2026. As previsões apontam ainda que, em 2028, deixará de existir qualquer computador novo à venda por menos de 500 euros, o que ditará também o fim dos computadores de secretária de baixo custo focados em videojogos.
No mercado dos telemóveis, espera-se uma queda acentuada nas vendas e um forte abrandamento no lançamento de modelos com capacidades massivas de memória RAM e armazenamento interno. Um exemplo claro desta nova realidade imposta pelos custos de produção é o recém-anunciado MacBook Neo da Apple, um portátil focado na vertente acessível que chega ao mercado limitado a 8 GB de memória RAM e opções base de armazenamento de apenas 256 GB ou 512 GB.
Lucros recorde impulsionados pela inteligência artificial
De acordo com a TrendForce, empresa de análise de mercado especializada no setor, os cinco maiores fornecedores de memória NAND registaram um aumento de receitas de 23,8% no quarto trimestre de 2025. O primeiro trimestre de 2026, que termina em março, deverá agora encerrar com um novo recorde de faturação, fortemente impulsionado pela procura de infraestruturas para inteligência artificial e pelas sucessivas revisões de preço.
A estimativa atual é que os contratos de fornecimento de memória NAND para os SSDs de consumo sofram um agravamento de até 60% apenas neste trimestre, enquanto as soluções desenhadas para o mercado empresarial poderão ficar até 58% mais caras.
O contexto revela que não se trata de uma oscilação temporária, mas sim de um desequilíbrio estrutural profundo entre a oferta e a procura. A IDC já tinha avançado, em dezembro de 2025, que a corrida à memória HBM e à DRAM para servidores de inteligência artificial está a esgotar praticamente toda a capacidade de produção das grandes fábricas mundiais.
As estimativas para o ano de 2026 indicam um crescimento na oferta de apenas 16% na DRAM e 17% na NAND face a 2025. Estes números são insuficientes para colmatar a escassez imediata, e as projeções da indústria sublinham que os problemas estruturais de abastecimento só começarão a ser verdadeiramente ultrapassados em 2028.
Este agravamento já se reflete em decisões difíceis para as empresas intermédias. A ChinaFlashMarket indicou que os wafers NAND TLC de 1 Tb subiram de preço cerca de 25% apenas no mês de fevereiro de 2026. Face a esta volatilidade repentina, empresas como a Phison, fabricante de controladores de armazenamento, alteraram as suas políticas de negócio, exigindo a redução dos prazos de pagamento aos seus parceiros de confiança e chegando a impor pagamentos adiantados a outras empresas para lhes garantir o acesso aos componentes.












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