
A famosa Encyclopedia Britannica, em conjunto com a sua subsidiária Merriam-Webster, avançou com um processo judicial contra a OpenAI por infração de direitos de autor. De acordo com as informações avançadas pela Reuters, as editoras acusam a tecnológica de ter utilizado ilegalmente quase 100 mil artigos protegidos e definições de dicionário para treinar os seus modelos de linguagem, sem qualquer tipo de autorização prévia.
Cópias exatas e apropriação indevida de tráfego
O problema levantado pelas empresas vai muito além do simples treino dos modelos. A queixa sublinha que o ChatGPT tem a tendência para gerar respostas que são cópias quase exatas das entradas originais da enciclopédia. Esta situação tem um impacto direto no negócio das editoras, uma vez que a geração de respostas completas e diretas acaba por canibalizar o tráfego web que, de outra forma, seria encaminhado para os seus sites oficiais.
O cenário enquadra-se numa tendência mais vasta em que as respostas automáticas estão a provocar quebras acentuadas de tráfego em várias publicações na internet. A diferença neste caso é que a Britannica possui os recursos financeiros e logísticos necessários para levar a disputa aos tribunais e enfrentar o problema judicialmente.
Alucinações ameaçam reputação centenária
Para além da questão dos direitos de autor, a ação legal aponta também para uma grave infração de marcas registadas. Segundo as editoras, a ferramenta inventa frequentemente informações falsas e atribui esses dados à Britannica. Este comportamento provocado pelas chamadas alucinações do sistema ameaça manchar a reputação de rigor e confiança que a marca construiu ao longo de vários séculos.
Em resposta à ação interposta no tribunal de Manhattan, um representante da tecnológica argumentou que os dados de treino utilizados estão disponíveis publicamente e encontram-se protegidos pela doutrina de uso razoável. Este caso reflete uma guerra cada vez mais acesa entre os gigantes da tecnologia e os meios de comunicação tradicionais. Um exemplo recente desta tensão foi a pressão exercida sobre a chinesa ByteDance, que se viu forçada a alterar o seu modelo de vídeo Seedance 2.0 depois de este ter gerado conteúdos com personagens protegidas por direitos de autor.












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