
A Renault começou a integrar centenas de robôs humanoides na sua linha de produção de automóveis elétricos em França, com o objetivo de aliviar os trabalhadores das tarefas fisicamente mais exigentes. O primeiro destes autómatos, um modelo bípede e sem cabeça, já se encontra ativo a colocar pneus no tapete rolante que alimenta a linha de montagem, um processo revelado em detalhe num vídeo partilhado no YouTube.
De acordo com o plano da fabricante, a presença destes ajudantes mecânicos vai aumentar para 350 unidades nos próximos 18 meses. Esta força de trabalho automatizada insere-se na estratégia da empresa para reduzir o tempo de produção de cada veículo em 30%. A longo prazo, a meta é cortar os custos operacionais em 20% ao longo de cinco anos, solidificando a sua posição no mercado automóvel europeu e global.
O trabalhador incansável de 40 quilos
Batizado de Calvin-40, o robô foi desenvolvido pela Wandercraft, uma empresa sediada em Nova Iorque. Esta máquina consegue levantar cargas até 40 quilos centenas de vezes por dia, sem precisar de qualquer pausa para descanso. Para interagir com o ambiente e com os humanos, o equipamento possui câmaras de vídeo instaladas na zona da cintura e comunica o seu estado operacional através de um sistema de luzes LED.
Em vez de apostar num visual antropomórfico ou focado em imitar a aparência humana, como acontece com o Optimus da Tesla, o Calvin-40 tem um propósito puramente funcional. O seu formato foi pensado exclusivamente para operar de forma independente e para se integrar com segurança e fiabilidade em qualquer ambiente industrial. Esta é já a segunda geração do robô, que a fabricante sublinha ter sido desenvolvida em apenas 40 dias.
Inteligência artificial acelera o desenvolvimento
O antecessor deste modelo tinha sido criado em abril de 2025. Contudo, ao tirar partido de treinos baseados em inteligência artificial, a marca conseguiu duplicar a velocidade da máquina em apenas seis meses. O potencial da Wandercraft convenceu o grupo francês a investir cerca de 69 milhões de euros na empresa em junho de 2025, garantindo assim uma participação minoritária e um impulso decisivo no avanço da tecnologia.
Embora o Calvin-40 tenha capacidade para ser treinado na seleção de peças mistas, as suas funções atuais estão limitadas ao levantamento de pneus e ao transporte de painéis na secção de carroçaria, uma vez que a destreza e a velocidade fina ainda são os maiores obstáculos.
Thierry Charvet, diretor de produção da empresa automóvel, garantiu que os robôs não vão substituir os funcionários humanos. O responsável explicou que não existem máquinas a assumir o lugar das pessoas na montagem final, onde a rapidez e a precisão manual são ainda essenciais.
Por seu turno, o CEO do grupo, Francois Provost, salientou que esta implementação é uma estreia no setor. O executivo deixou ainda um recado à concorrência, sublinhando que enquanto muitas empresas usam humanoides apenas para exibições em feiras de tecnologia, a sua marca prefere colocá-los a trabalhar de imediato na linha de montagem.












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