
A Samsung decidiu procurar alternativas para os ecrãs dos seus telemóveis de gama média. De acordo com informações avançadas pelo The Elec, a gigante sul-coreana vai começar a usar painéis OLED da fabricante chinesa CSOT. O objetivo da estratégia é claro: cortar nos custos de produção para compensar a escalada brutal nos preços da memória e manter a competitividade dos equipamentos mais acessíveis.
A crise da memória e a solução no ecrã
Historicamente, a Samsung tem dependido quase em exclusivo da sua própria filial para o fornecimento de ecrãs. Contudo, o cenário atual da indústria forçou uma mudança de rumo. A memória DRAM e NAND registou um aumento notório nos valores e a tendência é para continuar a subir para 2026. Em comparação com o primeiro trimestre de 2025, o custo da memória aumentou quase 200% para um dispositivo com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno.
Atualmente, apenas a RAM e o espaço de armazenamento representam entre 30% a 40% do custo de fabrico de um telemóvel, quando no passado este valor rondava os 10% a 15%. A perspetiva é que a RAM duplique o seu valor durante o segundo trimestre deste ano, enquanto a NAND deverá aumentar até 60%.
Para evitar que este peso seja totalmente passado para a carteira dos consumidores através de aumentos agressivos, a marca optou por recorrer à CSOT, uma fabricante controlada pela TCL. A empresa já terá encomendado 15 milhões de painéis OLED, que apresentam um custo de produção cerca de 20% inferior aos da sua própria divisão de ecrãs. O Galaxy A57 será o primeiro modelo a incorporar esta novidade, sendo a estratégia alargada aos futuros dispositivos da linha Fan Edition.
O impacto na divisão da Samsung Display
A decisão de comprar peças à concorrência não foi recebida de ânimo leve nos corredores da filial de ecrãs da marca sul-coreana, que tentou travar o negócio internamente. Contudo, a divisão móvel deu prioridade à sua sobrevivência num mercado feroz, preferindo reduzir as receitas do próprio grupo do que perder espaço no segmento de gama média.
Nos resultados financeiros de 2025, a empresa já tinha referido que o negócio móvel enfrenta pressões constantes sobre os custos em 2026. O CEO da divisão de ecrãs também alertou para uma pressão adicional derivada das matérias-primas e energia, diretamente ligada à subida do petróleo, o que complica ainda mais a rentabilidade do hardware.
Este movimento comprova que os fabricantes chineses atingiram um patamar de qualidade e preço que lhes permite entrar na linha de montagem das maiores marcas mundiais, mesmo daquelas que fabricam os seus próprios componentes. Em 2025, a China já ultrapassou os 50% de quota de mercado nos envios de ecrãs OLED, solidificando o seu domínio tecnológico.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!