
O mercado de computadores portáteis na China arrancou o ano de 2026 com um travão extremamente severo, servindo como um indicador preocupante para o resto do mundo. Entre os meses de janeiro e fevereiro, as vendas no gigante asiático fixaram-se em apenas 947 mil unidades, o que representa um trambolhão de 40,5% em termos interanuais. Este cenário, que reflete uma quebra idêntica nos proveitos — na ordem dos 5.990 milhões de yuans —, confirma que a crise dos portáteis é uma realidade difícil de ignorar e que está diretamente ligada à ascensão da inteligência artificial.
Componentes caros e desvio de stock para a IA
A razão para este deserto nas lojas não é apenas a falta de interesse, mas sim um problema profundo na cadeia de abastecimento. De acordo com os dados avançados pelo site MyDrivers, a produção de memórias DRAM e NAND está a ser massivamente desviada para centros de dados e sistemas de inteligência artificial, onde as margens de lucro são consideravelmente superiores.
Este desvio estratégico reduz a disponibilidade de componentes para o mercado de consumo, empurrando os preços dos equipamentos para cima. Como a IA continua a ser a prioridade absoluta dos fabricantes, quem acaba por pagar a fatura é o utilizador final, que se depara com computadores mais caros num momento em que a urgência para renovar o hardware é baixa. É o clássico cenário da pescada com o rabo na boca: preços altos e menor incentivo à compra resultam num volume de vendas anémico.
Procura esgotada e domínio das marcas habituais
Outro fator determinante para este colapso foi a antecipação de compras verificada em 2025. Graças a várias campanhas de estímulo e promoções agressivas, muitos consumidores renovaram os seus equipamentos antes do tempo, o que agora deixa um vazio nas vendas a curto prazo. Basicamente, quem tinha de comprar um computador já o fez, e com a subida dos custos, não há motivos para voltar ao mercado tão cedo.
Apesar da contração brutal do setor, o ranking das fabricantes mantém-se estável, embora todas sofram com a redução do volume total:
A Lenovo lidera com cerca de 35% de quota;
A HP segura 14%;
A ASUS ronda os 12%;
A Apple fecha o top com 7% de mercado.
Embora estes dados se refiram especificamente ao mercado chinês, os analistas alertam que, sendo este o maior mercado do planeta, o arrefecimento global é inevitável. Com a previsão de que a situação se agrave no próximo trimestre, 2026 promete ser um ano de provação para o segmento da computação pessoal.












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