
Uma equipa internacional de cientistas desenvolveu uma nova abordagem terapêutica que promete aumentar a eficácia no combate às células tumorais, permitindo simultaneamente reduzir as doses de quimioterapia necessárias. Segundo avançou a agência de notícias Europa Press, este método inovador foca-se na destruição potente do tumor, conseguindo minimizar a toxicidade para o resto do organismo.
A investigação, liderada pelo Instituto de Ciência de Materiais de Madrid (ICMM) e publicada na revista científica Advanced NanoBiomed Research, baseia-se num sistema trimodal. Ana Espinosa, investigadora do ICMM e líder do estudo, explica que o tratamento funciona como uma "armadilha de calor", aproveitando o facto de as células cancerígenas serem particularmente sensíveis a temperaturas elevadas.
Tecnologia trimodal combina calor e fármacos
O grande diferencial desta descoberta reside na combinação de três ações simultâneas. Os especialistas utilizaram a doxorrubicina — um medicamento comum em tratamentos oncológicos — e potenciaram o seu efeito através de duas formas distintas de calor: a hipertermia magnética (gerada por um campo magnético) e a radiação infravermelha próxima.
Até agora, a utilização destas técnicas de forma isolada não permitia atingir com segurança a temperatura necessária para eliminar o cancro. No entanto, a convergência das duas fontes de calor com a quimioterapia cria um efeito sinérgico. Esta abordagem permite que doses mais baixas de medicamentos sejam muito mais eficazes, reduzindo os efeitos secundários sistémicos para o paciente.
Testes mostram eficácia elevada em células tumorais
Embora os testes tenham sido realizados em laboratório utilizando células de cancro da mama, os investigadores indicam que este modelo pode ser adaptado a qualquer tipo de tumor. Os resultados iniciais são bastante animadores, tendo-se registado uma taxa de morte celular de até 70% num período de 72 horas. Este valor representa um salto significativo de desempenho face aos métodos aplicados individualmente.
Este projeto contou com a colaboração de várias instituições de prestígio, incluindo o instituto IMDEA Nanociencia e o Instituto de Cerâmica e Vidro, em Espanha, além do Instituto Curie, em França. Apesar de ainda se encontrar numa fase inicial de testes e fora de organismos vivos, a equipa acredita que esta via abre um caminho promissor para o futuro da oncologia e da tecnologia médica.












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