
A era de ouro da inteligência artificial generativa sem custos ocultos parece estar a chegar ao fim. Para compensar os enormes gastos associados ao processamento de dados, as grandes empresas tecnológicas começaram a implementar publicidade nos seus serviços, e a mais recente vítima desta estratégia é o GitHub Copilot, que está a injetar anúncios diretamente nos pedidos de integração de código dos programadores.
O alerta foi dado por um programador australiano, conforme partilhado na página pessoal de Zach Manson. Ao utilizar o assistente de programação para corrigir um simples erro ortográfico num pedido de extração de código, a ferramenta realizou a correção solicitada, mas aproveitou a oportunidade para alterar a descrição do pedido e incluir uma mensagem promocional não solicitada.
O fim do período de subsídio na inteligência artificial
Durante os últimos anos, a indústria operou num modelo onde investidores e laboratórios assumiam perdas avultadas para atrair a atenção do público. No entanto, as atuais subscrições mensais pagas pelos utilizadores não são suficientes para cobrir os custos astronómicos associados ao poder computacional necessário para gerar cada resposta. Face a um buraco financeiro que ultrapassa os 400 mil milhões de dólares entre o investimento em centros de dados e as receitas reais, o mercado regressou ao modelo de negócio mais antigo da internet: a publicidade.

Esta transição já está a dar frutos para outras gigantes da indústria. A OpenAI, por exemplo, revelou que o seu negócio de anúncios integrados nos planos gratuitos do ChatGPT já ultrapassou a marca dos 100 milhões de dólares em receitas anualizadas. A campanha tem gerado resultados tão positivos que a empresa planeia abrir uma plataforma de anúncios de autoatendimento para empresas no próximo mês, expandindo a publicidade para o Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
Publicidade disfarçada de dicas no código
O caso relatado pelo programador australiano está longe de ser um evento isolado. Uma pesquisa rápida no GitHub revela que a mesma frase promocional, que sugere o uso de uma ferramenta chamada Raycast para macOS ou Windows, aparece em mais de 11 mil pedidos de integração espalhados por milhares de repositórios diferentes. O problema estende-se inclusive a plataformas concorrentes, com utilizadores do GitLab a reportarem injeções de texto semelhantes.
Embora o anúncio mencione diretamente o Raycast, uma extensão que integra funcionalidades do assistente de código, a análise do texto revela os bastidores desta prática. Ao inspecionar o formato do texto da descrição alterada, os programadores encontraram um comentário oculto em HTML que sinaliza o início de dicas do agente de programação. Este detalhe técnico aponta para a Microsoft como a responsável pela injeção das mensagens, utilizando a funcionalidade para promover o seu próprio ecossistema de programadores e integrações de parceiros diretamente no fluxo de trabalho dos utilizadores.












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