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Ciência

Um novo estudo publicado na prestigiada revista Science, coassinado por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Universidade de Cambridge, propõe uma visão inovadora sobre como o nosso corpo lida com proteínas danificadas fora das células. Esta descoberta estabelece um novo paradigma que altera a forma como compreendemos as doenças neurodegenerativas complexas, como o Alzheimer ou o Parkinson.

Uma nova barreira de proteção no corpo humano

As proteínas são os blocos fundamentais da vida, mas quando sofrem alterações ou se agregam de forma errada, podem desencadear vários problemas graves de saúde. Até agora, a comunidade científica focava-se bastante em perceber como as células lidavam com estas anomalias no seu próprio interior. No entanto, a investigação liderada por Cláudio M. Gomes, do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas, e por Michele Vendruscolo, vem demonstrar que o espaço extracelular não é apenas um vazio, mas sim um sistema altamente ativo de controlo.

O artigo, intitulado "Systems-level organization of extracellular proteostasis", detalha que existe uma verdadeira defesa organizada em três níveis distintos para combater estas ameaças fora das células. O primeiro nível é o pericelular, que atua logo à superfície das células. De seguida, temos o nível tecidular, focado no ambiente dos próprios tecidos, e por fim o nível sistémico, que engloba os órgãos e os fluidos corporais. Em conjunto, esta estrutura de proteostase extracelular trabalha ininterruptamente para reconhecer, neutralizar e eliminar as proteínas que se tornaram patológicas.

Esperança para o tratamento de doenças neurodegenerativas

A grande revelação deste estudo, desenvolvido no âmbito do projeto europeu TWIN2PIPSA, reside nas portas que abre para a vertente terapêutica. Ao mapear o modo como o organismo lida com os resíduos proteicos no exterior das células, os cientistas conseguem identificar novos alvos para tratamentos. O investigador Cláudio M. Gomes refere que a identificação de pontos de controlo nestes três níveis permite desenhar intervenções muito mais direcionadas e específicas.

O grande objetivo terapêutico passa por atuar numa fase inicial do processo patológico, travando o desequilíbrio antes que a acumulação de proteínas se propague e se torne mais difícil de travar. Este detalhe revela-se crucial no combate a patologias conhecidas pela sua complexidade, como a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson ou a paramiloidose, vulgarmente identificada em Portugal como a doença dos pezinhos.

Ao demonstrar que a acumulação das proteínas resulta de falhas nos mecanismos naturais que as deveriam eliminar no meio extracelular, o trabalho de investigação lança as bases para novas abordagens médicas focadas na estabilização deste ambiente. A publicação do artigo confere também uma enorme visibilidade internacional à ciência feita em Portugal, oferecendo um novo enquadramento que promete orientar as próximas investigações sobre a acumulação e agregação de proteínas.

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