
A App Store da Apple registou um aumento substancial de 84% no número de submissões durante os primeiros três meses de 2026, totalizando mais de 235 mil novas aplicações. Segundo os dados avançados pelo The Information, esta enchente deve-se à popularização de ferramentas de inteligência artificial que permitem a qualquer pessoa criar programas sem conhecimentos prévios de programação. No entanto, a fraca qualidade destas submissões está a forçar mudanças drásticas no mercado e nas regras da plataforma.
O impacto da criação autónoma e a nova profissão de limpeza
Com o auxílio de plataformas como o Claude Code da Anthropic e o Codex da OpenAI, tornou-se possível desenvolver e publicar software nas lojas oficiais num espaço de tempo muito reduzido. Contudo, a facilidade de criação trouxe consequências negativas. A pressa de executivos e curiosos em maximizar lucros resultou numa vaga de aplicações repletas de falhas e defeitos graves.
Este cenário caótico deu origem a uma nova categoria profissional no setor tecnológico: os especialistas em limpeza de código. A principal função destes profissionais passa por tentar reparar as falhas estruturais geradas pelas máquinas, uma vez que o resultado prático desta tendência tem sido uma verdadeira invasão de software defeituoso.
Bloqueios na plataforma e os conflitos legais
Para travar esta invasão de lixo digital, a gigante de Cupertino tomou medidas rigorosas no último mês, eliminando três plataformas populares de criação autónoma da sua loja: Replit, Vibecode e Anything. A justificação oficial prende-se com a violação das diretrizes do sistema, uma vez que estas ferramentas permitiam a construção e utilização de aplicações no iPhone contornando o rigoroso processo de aprovação da empresa.
O controlo apertado da loja tem sido alvo de escrutínio internacional. Nos Estados Unidos, a justiça determinou recentemente que a tecnológica tem o direito de remover software da sua loja sem necessidade de apresentar justificações. Por outro lado, a situação é mais complexa no Reino Unido, onde um tribunal de recurso condenou a empresa por abuso de poder devido a algumas regras restritivas da App Store.
Como alternativa controlada para os programadores, a fabricante foca-se no seu próprio ambiente de desenvolvimento. O Xcode integra agora agentes virtuais desenhados para rever e editar o código escrito, com a promessa de garantir que o software submetido mantém os padrões de qualidade exigidos pelo ecossistema da marca.












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